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Seis em cada dez brasileiros mudam de carreira após demissão, aponta estudo

30 de outubro de 2026
Seis em cada dez brasileiros mudam de carreira após demissão, aponta estudo

Destaques

  • •Relatório da consultoria LHH revela que 58,3% dos profissionais no Brasil migram para novas funções após serem demitidos, superando a média global.
  • •Avanço da inteligência artificial e automação são apontados como principais catalisadores para a extinção de cargos, forçando a busca por novas áreas.
  • •Profissionais que mudam de carreira podem enfrentar redução salarial inicial e desafios na adaptação a novas funções e à gestão autônoma.

Cerca de seis em cada dez profissionais desligados no Brasil migram para funções totalmente novas após a demissão, aponta um relatório sobre transição de carreira da consultoria LHH. Com uma média de 58,3% de profissionais que mudam de ocupação após serem demitidos, o Brasil apresenta um índice ligeiramente acima da média global de 57,7%. O mercado brasileiro se encontra à frente de países como Estados Unidos (56,9%) e Japão (55,6%), mas fica atrás de nações europeias como Alemanha (70,9%) e Espanha (68,4%).

A dinâmica reflete um mercado de trabalho em reconfiguração contínua, em que a transição de carreira deixou de ser um evento pontual para se tornar um componente estrutural. Quase 80% das demissões globais foram recorrentes, e não mais eventos isolados. As pressões que levam a essas mudanças estão mais distribuídas, com destaque para o avanço da inteligência artificial (IA) e automação, a incompatibilidade de competências e operações de fusões e aquisições.

IA e automação impulsionam mudanças

Segundo a diretora de transição de carreira da LHH, Patrícia Paniquar, a tecnologia e a IA são os principais catalisadores da extinção de muitas posições, forçando os profissionais a buscar novas oportunidades em áreas diferentes das que ocupavam. Ela compara a carreira a um movimento de teias, em vez de uma escada, onde o profissional pode migrar sem necessariamente seguir uma jornada linear de ascensão.

Para o Brasil, Paniquar espera um aumento significativo na taxa de transição nos próximos anos, à medida que a IA for incorporada à rotina das organizações. Ela explica que o ritmo de transição vem aumentando, mas o país ainda não está entre os que possuem os maiores volumes, pois a inteligência artificial, embora presente, ainda não é utilizada em sua máxima potência.

Impacto em cargos e novas trajetórias

As posições mais impactadas pela automação e IA são as administrativas e operacionais, estendendo-se até a média gerência. Exemplos incluem representante de vendas, analista de cadeia de suprimentos, atendimento ao cliente, consultor de projeto e coordenador de marketing. Nas operações de atendimento ao cliente, a taxa de transição global chega a 90,15%, com apenas 9,85% retornando à mesma função.

Ao mudar de carreira, os profissionais tendem a buscar funções em que possam aproveitar as competências já adquiridas. Quem deixa o atendimento ao cliente, por exemplo, migra para áreas comerciais, supply chain, gestão de operações, garantia da qualidade e contabilidade. Já desenvolvedores de software que mudam de área buscam caminhos mais técnicos, como consultoria de projetos, engenharia de suporte de TI, análise de sistemas e análise de dados.

Desafios e adaptação no novo mercado

A pesquisa não quantifica a mudança salarial, mas Paniquar observa que a transição para uma nova especialidade, onde o profissional ainda está em curva de aprendizado, pode resultar em uma redução inicial da remuneração. Ela também aponta o paradigma de empresas que ignoram o potencial de profissionais com salários mais altos em suas áreas anteriores, desconsiderando a disposição deles em se adequar a novas realidades.

Empresas estão começando a se adaptar, saindo de um modelo que exigia profissionais “prontos” para valorizar o desenvolvimento de novas habilidades e a mobilidade interna. Além dos desligamentos involuntários, há um movimento crescente de profissionais que buscam voluntariamente mudar de carreira, sendo a falta de clareza sobre o caminho o maior obstáculo para mais da metade deles.

A psicóloga Natália Toledo, que atuava no setor bancário há sete anos, decidiu mudar para a psicologia após enfrentar burnout. A transição exigiu planejamento financeiro e disposição para abrir mão da estabilidade da CLT. Ela relata a insegurança inicial em administrar a própria atividade como autônoma, lidando com pagamentos, abertura de CNPJ e obrigações fiscais. Natália passou a usar redes sociais para falar sobre psicologia e saúde mental, adaptando-se às ferramentas digitais necessárias para profissionais de diversas áreas.

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