São Paulo: Justiça mantém contrato com Ticketmaster e recusa pedido da Feng

Destaques
- •Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido da Feng e manteve contrato do São Paulo com a Ticketmaster para gestão de sócio-torcedor.
- •A decisão garante ao clube o recebimento de R$ 140 milhões, sendo R$ 30 milhões pela gestão de camarote e R$ 110 milhões como empréstimo.
- •O São Paulo também contestou judicialmente o ex-presidente Julio Casares, classificando suas alegações de "alucinações".
O São Paulo obteve uma vitória significativa na Justiça nesta sexta-feira. A 12ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo recusou um pedido da Feng e manteve vigente o contrato do clube com a Ticketmaster para a operação do programa de sócio-torcedor a partir do ano que vem.
Nas últimas semanas, a Feng havia recorrido à Justiça alegando ter prioridade para igualar uma proposta de outra empresa interessada em assumir o programa, como a Ticketmaster. O São Paulo, por sua vez, defendeu que o contrato prevê a rescisão unilateral com aviso prévio e pagamento de multa, sem necessidade de oferecer à Feng a chance de cobrir a oferta.
Justiça valida contrato com Ticketmaster
A Justiça acatou o argumento do clube, entendendo que o contrato original permite a rescisão unilateral sem dar à Feng o direito de renovar ou de ter prioridade em uma nova parceria. A Feng também teve negado o pedido para que os valores devidos ao São Paulo pela Ticketmaster fossem depositados em juízo.
Com a decisão, o São Paulo receberá R$ 140 milhões até o fim do ano. Deste montante, R$ 30 milhões são referentes ao uso do camarote 29A do Morumbis pela Ticketmaster. Os R$ 110 milhões restantes serão um empréstimo da Ticketmaster ao clube, a ser devolvido a partir da renda de jogos no estádio, com um limite mensal de R$ 1,8 milhão.
Feng pode insistir no caso
Apesar da decisão favorável ao São Paulo, a Feng ainda pode insistir no caso, transformando o pedido cautelar em um processo judicial que precisará ser julgado. O contrato com a Ticketmaster abrange a gestão de ingressos do Morumbis e o programa de sócio-torcedor.
Contestação a ex-presidente Julio Casares
Em outro front judicial, o São Paulo contestou o processo movido pelo ex-presidente Julio Casares, que alega "inexistência de gestão temerária". Em sua defesa, os advogados do clube classificaram as argumentações de Casares como "alucinações", citando o uso indevido do cartão corporativo para despesas pessoais e a falta de documentação suficiente em movimentações financeiras expressivas durante sua gestão.
O clube afirma que Casares tenta transferir a responsabilidade por seus atos e classifica a ação como "desleal e traiçoeira". O São Paulo recorda que, internamente, o processo culminou na expulsão de Casares do quadro associativo, mas que ele segue sendo investigado nas esferas Civil e Criminal.
Casares foi expulso com base em investigações que apontaram gestão temerária ou irregular, enquadrado no Artigo 34 do Estatuto Social. O relatório da Comissão de Ética citou aproximadamente R$ 7 milhões em saques sem documentação adequada e gastos no cartão corporativo em estabelecimentos de luxo, restaurantes, charutaria, salões de beleza, despesas médicas e petshops. Casares alega que a devolução voluntária de parte dos valores comprova boa-fé.


