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Google derruba 250 mil árvores na Finlândia para centro de dados sem licença ambiental

23 de outubro de 2026

Destaques

  • •Google devastou 330 hectares de floresta na Finlândia para construir um centro de dados, derrubando cerca de 250 mil árvores sem as licenças ambientais necessárias.
  • •A empresa pediu desculpas e afirmou ter agido com base em seu entendimento da legislação, mas a Autoridade Finlandesa de Licenciamento e Supervisão ordenou a paralisação das obras.
  • •O caso gerou debate nacional sobre o papel do país na corrida global por data centers e o impacto ambiental, com pedidos por maior regulamentação e taxas compensatórias.

O Google foi acusado de devastar ilegalmente uma área de 330 hectares de floresta perto da cidade de Muhos, no norte da Finlândia, para a construção de um centro de dados. Estima-se que cerca de 250 mil árvores tenham sido derrubadas, incluindo a camada superficial do solo, sem a conclusão das avaliações de impacto ambiental necessárias. A empresa de tecnologia possui 145 novos centros de dados em planejamento no país, atraída pela estabilidade, abundância de terras e clima frio, que favorece a economia de energia.

Obras paralisadas e pedido de desculpas

No início de maio, a Autoridade Finlandesa de Licenciamento e Supervisão (LVV) ordenou ao Google que interrompesse temporariamente as obras em Muhos e em outro local em Otanmäki, a cerca de 100 km de distância. A paralisação ocorreu após a empresa não ter realizado as devidas avaliações de impacto ambiental antes do desmatamento. Em resposta, o diretor do Google na Finlândia, Antti Järvinen, pediu desculpas pelo ocorrido, mas declarou que a empresa agiu com base no seu melhor entendimento da legislação vigente na época.

O projeto em Muhos e Otanmäki faz parte de um plano de infraestrutura de IA do Google avaliado em € 13 bilhões, o maior do tipo já realizado na Finlândia. O investimento foi incentivado pelo governo finlandês, que busca atrair capital estrangeiro, com o primeiro-ministro Petteri Orpo afirmando que a economia de dados traz benefícios duradouros.

Críticas e impacto local

A notícia gerou indignação e um debate nacional sobre a expansão de data centers e o desenvolvimento da inteligência artificial. Ambientalistas estimam que outras 150 mil árvores foram derrubadas em Otanmäki. Como a madeira foi retirada ilegalmente, ela não pode ser vendida para processamento. A situação levanta questionamentos sobre o uso de energia renovável finlandesa para suprir corporações internacionais e sobre a compensação de danos ambientais às comunidades locais.

Mais de 93 mil pessoas assinaram uma petição exigindo maior regulamentação e uma taxa para compensar os danos ambientais. Hanna Halmeenpää, presidente do conselho da SLL (Liga Finlandesa para a Conservação da Natureza), expressou incredulidade com a violação legal, chamando-a de "pura arrogância". Moradores de Otanmäki relatam o impacto direto, como a fuga de animais selvagens para a vila e a poluição de riachos. Jussi Kangasharju, da Universidade de Helsinque, minimiza os benefícios nacionais dos data centers, afirmando que eles geram poucos empregos e arrecadam pouco imposto corporativo.

Próximos passos e regulamentação

O Ministério do Meio Ambiente finlandês afirmou estar monitorando o setor e preparado para propor alterações legislativas. O Google declarou que planeja plantar árvores em 130 hectares da área em Muhos e que sempre buscou cumprir os requisitos legais. Ambientalistas, no entanto, consideram o número de árvores a serem replantadas insuficiente para reparar os danos causados.

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