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Santander Brasil tem lucro líquido 28% menor no 3º trimestre e ações caem

28 de outubro de 2026
Santander Brasil tem lucro líquido 28% menor no 3º trimestre e ações caem

Destaques

  • •Lucro líquido do Santander Brasil no 3º trimestre de 2026 foi de R$ 2,89 bilhões, queda de 28% em relação ao ano anterior.
  • •Retorno sobre patrimônio (ROAE) caiu para 11,9%, abaixo das expectativas, e inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%.
  • •Ações (SANB11) recuaram 4,87% após divulgação do balanço, com analistas apontando pressão nas receitas e qualidade de ativos.

O Santander Brasil reportou um lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,89 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 28% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetavam R$ 3,161 bilhões, e as ações do banco (SANB11) reagiram negativamente, com queda de 4,87% no pregão. O retorno sobre o patrimônio médio (ROAE) do banco também diminuiu, atingindo 11,9%, uma redução de 5,6 pontos percentuais anualmente e 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

A carteira de crédito ampliada do banco espanhol no Brasil cresceu 4,7% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 721,26 bilhões em setembro. Esse crescimento foi impulsionado por grandes empresas, PMEs e financiamento ao consumo. No segmento de pessoa física, o desempenho positivo de cartões e crédito imobiliário de alta renda não foi suficiente para compensar a menor exposição ao segmento massivo.

Pressão nas Receitas e Qualidade de Crédito

A margem financeira, que representa os ganhos com operações de crédito e mercado, recuou 2,5% no trimestre e 1,6% na comparação anual, totalizando cerca de R$ 15 bilhões. O banco atribuiu essa queda à mudança no mix da carteira, com redução do spread (diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada em empréstimos) devido à menor exposição ao segmento massivo, que geralmente oferece margens maiores.

A qualidade do crédito também se mostrou um ponto de atenção. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao ano anterior. A deterioração foi concentrada na carteira de pessoas físicas, onde o indicador avançou 0,4 ponto percentual no trimestre, para 5,5%, pressionado principalmente por clientes de menor renda e pelo agronegócio. As provisões para devedores duvidosos (PDD) cresceram 14,4% ano a ano, para R$ 7,46 bilhões, refletindo a piora em alguns segmentos.

Esforços de Redução de Custos e OPA

Um dos pontos positivos do balanço foi o controle de despesas. Os gastos operacionais recuaram 3% no trimestre, totalizando R$ 6,4 bilhões, com o banco continuando a reduzir seu quadro de funcionários e rede física. Essa redução de custos ajudou a mitigar parte da fraqueza operacional e a queda nas provisões.

A dinâmica das ações do Santander Brasil (SANB11) também é influenciada pela oferta pública voluntária de ações (OPA) lançada pelo Santander Espanha para acionistas minoritários. Analistas do BTG Pactual observam que a recente desvalorização das ações do banco brasileiro, que acumulam queda superior a 28% no ano, tornou a oferta mais atrativa, aumentando a probabilidade de adesão dos acionistas minoritários.

Apesar da leitura negativa do balanço, a OPA pode limitar o potencial de queda das ações no curto prazo. No entanto, bancos como Itaú BBA e Safra mantêm uma postura cautelosa, sem identificar sinais claros de recuperação operacional mais ampla no horizonte.

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