Salários no Agro: Gerentes podem ganhar até R$ 60 mil em 2027, mas aumentos são limitados

Destaques
- •Gerentes agrícolas corporativos em grandes empresas do agronegócio podem atingir salários mensais de R$ 60 mil em 2027.
- •A maioria das empresas (56%) planeja restringir reajustes salariais a percentuais obrigatórios, priorizando otimização de equipes.
- •A liderança e o domínio de novas tecnologias, como IA, são apontados como fatores cruciais para retenção e diferenciação salarial.
Em 2027, o agronegócio brasileiro poderá ter salários mensais de até R$ 60 mil para gerentes agrícolas corporativos em empresas de grande porte. No entanto, a maior parte dos empregadores, 56%, pretende limitar os reajustes salariais aos percentuais obrigatórios, segundo o Guia Salarial 2027 da consultoria Michael Page. Este é o maior índice de restrição salarial entre os 15 segmentos econômicos pesquisados.
A pesquisa, que ouviu mais de 7.700 profissionais e empresas, indica que 55% dos empregadores do agro priorizam a otimização de estruturas e equipes para o próximo ano. Stephano Dedini, diretor executivo da Michael Page Brasil, ressalta que, em um cenário de restrições orçamentárias, a qualidade da gestão e outros fatores como clareza sobre carreira, reconhecimento e autonomia ganham mais peso na retenção de talentos do que apenas o aumento salarial.
O que as empresas priorizam e o que os profissionais buscam
Com o custo do capital impactando decisões de investimento, as empresas do agronegócio buscam profissionais capazes de gerenciar produtividade, custos, equipes e novas tecnologias. A demanda por executivos com capacidade de transformar informações técnicas em decisões econômicas é alta, enquanto contratações para funções operacionais mostram menor movimentação.
As faixas salariais para gerentes em grandes empresas incluem R$ 58 mil para gerentes industriais, R$ 55 mil para gerentes agrícolas e de qualidade, R$ 50 mil para manutenção e P&D, R$ 45 mil para melhoria contínua, R$ 42 mil para produção e fazenda, e R$ 40 mil para SSMA (Saúde, Segurança e Meio Ambiente).
Contudo, o salário não é o único fator de permanência. 94% dos profissionais do agronegócio afirmam que a relação com o gestor influencia suas decisões de carreira, e 64% considerariam deixar o emprego por uma liderança desmotivadora, o maior percentual entre os setores. A falta de perspectivas de crescimento também é um motivo de saída para 73%.
Liderança e tecnologia: os novos pilares de retenção
A pesquisa revela uma discrepância entre a importância que os profissionais dão à liderança e a estratégia das empresas. Apenas 2% das companhias veem a liderança inspiracional como principal estratégia de retenção, priorizando cultura organizacional (29%) e salários acima da média (18%). No entanto, 17% das empresas esperam que a relevância da liderança aumente nos próximos 12 meses.
A inteligência artificial (IA) e outras ferramentas digitais também estão moldando as exigências profissionais. 95% dos profissionais do agro veem benefícios na IA, mas apenas 15% das empresas oferecem acesso amplo a essas ferramentas, e 9% consideram o conhecimento em IA um requisito importante na contratação. Cerca de 60% dos profissionais acreditam que o domínio da IA deveria resultar em diferenciação salarial, um ponto de atenção para as empresas.
Stephano Dedini aponta que a inovação tecnológica muitas vezes chega primeiro à operação e depois às políticas de RH. O desafio agora é alinhar essas agendas, desenvolvendo, contratando e reconhecendo profissionais com as novas competências necessárias.



