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Rover da NASA detecta poeira ultrafina em Marte com riscos para astronautas

29 de outubro de 2026
Rover da NASA detecta poeira ultrafina em Marte com riscos para astronautas

Destaques

  • •Rover Perseverance da NASA detectou partículas de poeira em Marte com cerca de 100 nanômetros, 500 vezes mais finas que um fio de cabelo.
  • •A poeira ultrafina e sua composição química, incluindo sílica e perclorato, podem representar riscos à saúde de futuros astronautas e à durabilidade de equipamentos.
  • •As descobertas orientarão o projeto de sistemas de suporte à vida, a escolha de materiais para trajes e habitats, e métodos de limpeza para missões tripuladas a Marte.

O rover Perseverance, da NASA, detectou em Marte partículas de poeira com cerca de 100 nanômetros de largura, aproximadamente 500 vezes mais finas que um fio de cabelo humano. A descoberta, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, pode ajudar a entender os riscos que esse material representa para a saúde de futuros astronautas e para a conservação de trajes espaciais e habitats em missões tripuladas ao planeta.

Partículas muito pequenas, como as ultrafinas identificadas, têm a capacidade de penetrar profundamente nos pulmões e, potencialmente, alcançar a corrente sanguínea, apresentando um risco sistêmico de toxicidade. Segundo Scott VanBommel, cientista planetário da Universidade de Washington em St. Louis e autor principal do estudo, o risco depende da dose e do tempo de exposição.

Composição e riscos da poeira marciana

A composição do material também é motivo de preocupação. A poeira marciana contém sílica, compostos de ferro e compostos de cloro, como o perclorato, substâncias que podem ser prejudiciais em doses suficientemente altas. Estudos anteriores já indicavam que componentes tóxicos da poeira marciana, como percloratos e nanóxidos de ferro, podem causar irritação pulmonar e até doenças mais graves, incluindo câncer, em astronautas.

A pesquisa analisou partículas acumuladas nos equipamentos do rover e em amostras de materiais transportadas para avaliar sua interação com a poeira. Além das partículas ultrafinas, o equipamento identificou partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro.

Testes com materiais para trajes espaciais

Para estudar como a poeira adere a possíveis materiais para trajes espaciais, o Perseverance transporta amostras de fibra sintética Vectran e de revestimento protetor Teflon. Os resultados mostraram comportamentos distintos: o Vectran reteve partículas maiores, enquanto o Teflon acumulou menos poeira, mas as partículas retidas eram mais finas.

VanBommel ressaltou que os testes não demonstraram danos causados pela poeira aos materiais. As diferenças observadas podem estar relacionadas às propriedades físicas e eletrostáticas de cada um, que influenciam a aderência das partículas. A poeira também pode degradar materiais de trajes espaciais e habitats ao longo do tempo.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences em 2026, com base em dados do rover Perseverance, analisou as frações de poeira fina e ultrafina em Marte. A pesquisa observou partículas medindo de 100 a 200 nanômetros em amostras de trajes espaciais e alvos de calibração. Composta por silicatos máficos enriquecidos em fósforo, ferro e enxofre, essa poeira se acumula em materiais análogos às camadas externas de sistemas espaciais planejados.

Outro estudo, publicado na revista GeoHealth em 2025, revisou os potenciais impactos na saúde, tratamentos e contramedidas da poeira marciana para futuras explorações espaciais humanas. O artigo destaca que o pequeno tamanho de grão da poeira marciana aumenta a probabilidade de causar irritação pulmonar, absorção na corrente sanguínea e desenvolvimento de doenças em astronautas. Componentes tóxicos como percloratos, sílica, nanóxidos de ferro e gesso, além de vestígios de metais tóxicos, foram identificados como preocupações.

Próximos passos para missões tripuladas

A NASA pretende enviar astronautas ao planeta vermelho já na década de 2030. VanBommel afirmou que as descobertas ajudarão a orientar o projeto de sistemas de suporte à vida, a escolha de materiais para trajes e habitats e a elaboração de protocolos para lidar com riscos toxicológicos.

“Essas descobertas ajudarão a orientar o projeto de futuros sistemas de suporte humano para missões tripuladas a Marte, incluindo a escolha de materiais para trajes espaciais e habitats, bem como métodos de limpeza eficazes para partículas com tamanhos submicrométricos”, disse o pesquisador.

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