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Robôs humanoides avançam em testes em fábricas, mas ainda executam tarefas específicas

05 de novembro de 2026
Robôs humanoides avançam em testes em fábricas, mas ainda executam tarefas específicas

Destaques

  • •Robôs humanoides da Figure AI e Agility Robotics completam milhares de horas de operação em plantas industriais nos EUA e Canadá.
  • •Projeções indicam salto nas vendas anuais de humanoides, com mercado estimado em até US$ 5 trilhões, mas robôs de propósito específico ainda dominam.
  • •Avanços em destreza manual e dados de treinamento para ações complexas são cruciais para o futuro dos robôs de propósito geral.

Robôs humanoides estão demonstrando sua capacidade em ambientes industriais, com empresas como Figure AI e Agility Robotics acumulando milhares de horas de operação em plantas de montagem e centros de distribuição. Apesar do potencial para adaptação a ambientes projetados para humanos, a maioria das aplicações atuais ainda se concentra em tarefas repetitivas, funcionando de maneira similar a robôs de propósito específico.

A startup Figure AI, apoiada por OpenAI, Nvidia e Jeff Bezos, divulgou que dois de seus robôs operaram por 11 meses na fábrica da BMW em Spartanburg, Carolina do Sul (EUA). Durante esse período, eles carregaram mais de 90 mil peças de chapa, percorreram cerca de 1,2 milhão de passos e contribuíram para a produção de mais de 30 mil unidades do modelo X3, com uma taxa de sucesso superior a 99% na inserção de peças.

Operação em larga escala e projeções de mercado

A Agility Robotics, conhecida pelo robô bípede "Digit", reportou mais de 65 mil horas de operação em nove instalações de clientes, incluindo Schaeffler, GXO, Toyota Motor Manufacturing Canada e Mercado Livre. Em uma unidade da GXO na Geórgia, os robôs movimentaram mais de 100 mil totes (recipientes padronizados), em um modelo de negócio de "robô como um serviço" (RaaS).

Essas operações, embora impressionantes, ainda se assemelham à atuação de robôs de propósito específico. A transição para robôs de "propósito geral" ainda é um objetivo distante. No entanto, as projeções de mercado são ambiciosas. O Bank of America Institute estima que as vendas anuais de humanoides saltarão de 20 mil unidades em 2025 para 90 mil em 2026, atingindo 1,2 milhão em 2030 e 10 milhões em 2035. O Goldman Sachs projeta um mercado de US$ 38 bilhões em 2035, enquanto o Morgan Stanley prevê mais de US$ 5 trilhões até 2050, com cerca de 1 bilhão de unidades em uso.

Desafios para a adoção em massa

Apesar do otimismo, o relatório World Robotics 2025 da International Federation of Robotics aponta que 542 mil robôs industriais foram instalados em 2024, indicando que robôs de propósito específico devem manter sua relevância por pelo menos mais uma década.

Um dos principais gargalos para a adoção generalizada de robôs humanoides de propósito geral é a falta de destreza manual e de um vasto repositório de dados para treinar ações complexas, como "abrir uma porta emperrada" ou "encaixar um conector". Modelos de linguagem são treinados com bilhões de palavras, mas não há um equivalente para gestos e habilidades físicas. Isso explica por que os robôs humanoides em operação ainda executam tarefas limitadas ou o fazem de maneira lenta.

A fronteira tecnológica para o futuro dos robôs humanoides provavelmente será definida pela combinação de avanços mecânicos e pela criação de um "ImageNet das ações", um acervo de dados de movimentos e interações. O setor debate se robôs operados remotamente, vídeos de pessoas trabalhando ou simulações serão as vias mais eficazes para construir esse banco de dados, que pode ser a chave para a revolução robótica da próxima década.

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