República del Cacao expande exportações e supera alta do cacau

Destaques
- •Empresa equatoriana República del Cacao registrou receita de US$ 21,6 milhões em 2025, com 88% vindo de exportações.
- •Apesar da quintuplicação do preço do cacau, a empresa manteve o fornecimento a clientes internacionais através de relações sólidas com produtores.
- •Novos produtos serão lançados em 2027, focando em ingredientes equatorianos e inovação, como chocolate branco com milho torrado.
A República del Cacao, empresa equatoriana fundada há 21 anos, registrou uma receita de vendas de US$ 21,6 milhões (R$ 115,23 milhões) em 2025. Desse montante, 88%, equivalentes a US$ 19 milhões (R$ 101,37 milhões), foram gerados por exportações de seu portfólio de 22 produtos para mais de 20 países, incluindo Estados Unidos, Malásia, Itália, Holanda e Canadá. A companhia ocupa a primeira posição no Equador em exportações de chocolate, com 38% em valor e 42% em volume, segundo a Associação Nacional de Exportadores e Industriais de Cacau do Equador (Anecacao).
A empresa opera com duas unidades: B2C, com seis boutiques em Quito e presença em 12 aeroportos da América Latina, e B2B, focada em chocolate profissional para chefs, confeitarias e a indústria alimentícia. A linha profissional, lançada em 2014, é responsável pela maior parte do faturamento e destina-se integralmente à exportação. Em 2025, a República del Cacao participou de 48 eventos internacionais, realizou mais de 30 workshops e capacitou mais de 800 líderes do setor gastronômico.
Superando a Crise do Cacau
Um dos maiores desafios recentes para a República del Cacao foi a escalada sem precedentes no preço internacional do cacau, que passou de US$ 2.700 por tonelada para picos entre US$ 11.000 e US$ 12.500 por tonelada em 2024 e 2025. Esse aumento foi impulsionado principalmente pela queda na produção africana.
A gerente-geral da unidade B2B, Paulina Páez, explicou que a resposta da empresa foi apostar nas relações de confiança construídas ao longo dos anos com os fornecedores. A República del Cacao sempre pagou acima do preço de mercado e ofereceu capacitação e ferramentas, garantindo preferência na venda do cacau. Essa rede de confiança permitiu que a empresa mantivesse sua cadeia de fornecimento e conquistasse espaço no mercado, enquanto outras deixaram de abastecer seus clientes internacionais.
O faturamento total de 2025 representou um crescimento de 36% em relação a 2024. A empresa também investe na fidelização dos produtores rurais, oferecendo capacitação em técnicas agrícolas, ferramentas e acompanhamento em processos de inclusão bancária e formalização.
Sustentabilidade e Inovação na Cadeia Produtiva
A composição das matérias-primas da República del Cacao reflete a valorização da produção local: 59% são cacau e derivados (80% do Equador, com o restante de Peru, México e República Dominicana), 20% é leite e 20% é açúcar, ambos provenientes integralmente do Equador. O 1% restante são ingredientes como milho orgânico de produção local.
Toda a transformação ocorre em território equatoriano, na fábrica de Quito, para manter o valor agregado no país. A empresa possui certificações como FSSC 22000, BPM, Halal, Kosher, BASC e Child Labour Free. Atualmente, trabalha para cumprir o Regulamento Europeu sobre Desmatamento (EUDR), que exigirá rastreabilidade completa a partir de 2027.
A República del Cacao também possui a certificação Empresa B, com foco em impacto econômico, social e ambiental. Mulheres representam 46% dos mais de 140 funcionários e ocupam mais de 60% dos cargos gerenciais. A empresa mantém parceria com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) no combate à desnutrição infantil.
Próximos Passos e Novidades
Em janeiro de 2027, a República del Cacao apresentará um novo produto durante a Sirha, em Lyon, evento que sedia a final da Copa do Mundo de Confeitaria. A intenção é dar continuidade à tradição de inovações baseadas em ingredientes equatorianos, como o chocolate branco com milho torrado, um de seus produtos emblemáticos atuais.
"Estamos na origem e é isso que queremos valorizar. Sabores que só podem vir daqui. Queremos utilizar os ingredientes locais o máximo possível. É algo profundamente ligado à nossa marca", afirma Paulina Páez.


