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Real enfraquece e pressiona exportações de commodities brasileiras

26 de outubro de 2026
Real enfraquece e pressiona exportações de commodities brasileiras

Destaques

  • •Moeda brasileira desvaloriza após resultado eleitoral e impacta preços de commodities no exterior.
  • •Contratos futuros de soja, açúcar e café caem na bolsa de Chicago e ICE.
  • •Mercado aguarda desdobramentos políticos e econômicos no Brasil.

A desvalorização do real brasileiro em relação ao dólar norte-americano, que chegou a quase 12% no mercado à vista nesta segunda-feira, impactou negativamente os contratos futuros de commodities agrícolas negociados no exterior. A bolsa de valores brasileira suspendeu as negociações por um mecanismo de segurança após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revertendo o otimismo que havia se instalado entre investidores após o primeiro turno eleitoral.

A queda nos preços das commodities foi particularmente sentida nos contratos futuros de soja negociados na bolsa de Chicago, que chegaram a cair mais de 2%. O Brasil é o maior produtor mundial de soja, café e açúcar, e um dólar mais forte frente ao real torna esses produtos mais acessíveis para compradores internacionais, o que, paradoxalmente, pressiona os preços quando a moeda brasileira se desvaloriza abruptamente.

Impacto nos preços globais

Os contratos futuros de soja com vencimento em novembro registravam queda de quase 20 centavos, cotados a US$12,376 por bushel. Segundo Jack Scoville, vice-presidente e analista de mercado do The Price Futures Group, a eleição foi uma surpresa e está diretamente ligada à desvalorização da moeda e à consequente queda nos preços da soja. A magnitude do movimento nos preços da soja também exerceu alguma pressão indireta sobre o milho.

Os contratos futuros de açúcar bruto negociados na bolsa ICE, referência global de preços, recuavam mais de 6%, ficando abaixo de 18 centavos de dólar por libra-peso. Já os contratos futuros de café arábica na ICE caíam mais de 2%, para cerca de US$3 por libra-peso, afastando-se da máxima de seis semanas registrada na quarta-feira.

O que dizem os analistas

Operadores de mercado apontaram que a reviravolta eleitoral foi particularmente negativa para os futuros de soja dos EUA, que competem com o Brasil neste mercado. A desvalorização do real torna as exportações brasileiras mais baratas em dólar, o que pode ser benéfico para os exportadores brasileiros em termos de volume, mas a volatilidade e a incerteza geradas pelo resultado eleitoral impactaram os preços globais de forma negativa no curto prazo.

Próximos passos

O mercado financeiro e de commodities continuará monitorando de perto os desdobramentos políticos e econômicos no Brasil. A estabilidade da moeda e a clareza sobre as políticas econômicas do novo governo serão fatores cruciais para a recuperação da confiança dos investidores e a normalização dos preços das commodities no mercado internacional.

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