Raízen: Credores de debêntures e CRAs escolhem entre três opções de pagamento

Destaques
- •Investidores em debêntures e CRAs da Raízen terão até 27 de dezembro para escolher entre três planos de pagamento.
- •As opções envolvem conversão em ações da Raízen (dividida em duas empresas), recebimento de dívida nova ou um desconto significativo.
- •A escolha é obrigatória e impacta a recuperação do capital investido, com prazos de pagamento que se estendem até 2035.
Investidores que aplicaram em debêntures e certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) da Raízen enfrentarão um momento decisivo entre novembro e dezembro. Eles deverão escolher entre três opções de pagamento, um processo que se tornou obrigatório após a homologação judicial do plano de recuperação extrajudicial. O período para a escolha está previsto para começar em 7 de dezembro e se estender por 20 dias, terminando em 27 de dezembro.
A B3 bloqueará os títulos por 120 dias após o fim do período de escolha, impedindo sua venda no mercado secundário. Para os CRAs administrados pela securitizadora Opea, que somam mais de R$ 7 bilhões, investidores com créditos acima de R$ 13 mil por emissão entrarão na Opção A, enquanto aqueles com até R$ 13 mil serão enquadrados na Opção C. O limite de R$ 13 mil é apurado por emissão, não por CPF.
Opção A: Ações e nova dívida
A Opção A combina participação acionária com nova dívida. Cerca de 45% do crédito será convertido em units da holding Raízen, cada uma composta por uma ação ordinária e uma preferencial, ao preço de R$ 0,25 por ação. Com a divisão da companhia em Raízen Combustíveis e Raízen Energia, as units recebidas serão divididas igualmente entre as duas novas empresas.
Os 55% restantes se tornarão dívida nova: 37,4% para a Raízen Combustíveis, com remuneração de CDI + 2,75% ao ano e amortização em 2032 e 2034, e 17,6% para a Raízen Energia, com rendimento de CDI + 1,25% ao ano e vencimentos em 2033 e 2035. Para debêntures incentivadas e CRAs IPCA+, o plano prevê instrumentos que preservam a isenção de Imposto de Renda, remunerados a IPCA + 9% ao ano.
A proposta permite que a Raízen Energia incorpore juros ao principal nos primeiros três anos, com um prêmio de 2 pontos percentuais, elevando o spread para CDI + 3,25%. A companhia também poderá antecipar pagamentos ao vender ativos ou gerar caixa excedente. Representantes dos maiores credores indicarão 4 dos 7 assentos do conselho, incluindo a presidência. Credores que não desejarem ficar com ações poderão nomear um comissário para vendê-las, com custos bancados pela Raízen.
Opção B: Desconto agressivo
A Opção B propõe uma perda explícita de 80% sobre o valor do crédito. Os credores receberão apenas 20% do valor original em uma única parcela em 31 de março de 2047. A correção será pela TR (Taxa Referencial), e a companhia poderá antecipar o pagamento pelo valor presente, com uma taxa de desconto equivalente à Selic projetada mais 2,25 pontos percentuais.
Opção C: Desconto para pequenos investidores
Voltada para pequenos investidores, a Opção C oferece o pagamento à vista do menor valor entre 75% do crédito e um teto de R$ 9.750. Por exemplo, um investidor com R$ 5.000 receberá R$ 3.750, enquanto um com R$ 20.000 receberá o teto de R$ 9.750. O pagamento será feito em parcela única após o fechamento do plano, previsto para 31 de março de 2027.
Se a demanda pela Opção C exceder o valor disponível, os créditos serão atendidos dos menores para os maiores. Quem ficar de fora será transferido automaticamente para a Opção A. Nenhuma das alternativas reproduz as condições originais dos títulos, exigindo que os credores aceitem uma perda definida ou apostem na recuperação da companhia no longo prazo.
Próximos passos e garantias
O plano de recuperação extrajudicial, homologado em 30 de julho, entra agora na fase de implementação. A divulgação dos Materiais de Eleição é esperada para 16 de novembro, seguida pelo período de escolha das opções de pagamento entre 7 e 27 de dezembro. A separação da Raízen em duas companhias está prevista para o fim de 2027, mas o cronograma pode sofrer atrasos.
As novas dívidas contarão com garantias mais robustas. Na Raízen Energia, a garantia será a alienação fiduciária de ações de sociedades de propósito específico. Na área de combustíveis, a garantia recairá sobre a planta de lubrificantes e tanques selecionados, com prioridade sobre esses ativos.


