Raízen aprova aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões para plano de recuperação

Destaques
- •Conselho da Raízen aprova emissão de até 159,2 bilhões de novas ações, com valor máximo de R$ 39,8 bilhões, como parte de seu plano de recuperação extrajudicial.
- •A operação, com preço por ação de R$ 0,25 ou R$ 0,50 por unit, visa a subscrição privada e é condição para a homologação do plano pela Justiça.
- •Acionistas que não exercerem o direito de preferência podem ter sua participação diluída em até 94%, enquanto credores terão opções de recebimento a partir de novembro.
O conselho de administração da Raízen aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira (6), um aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões. A operação, que envolve a emissão de novas ações para subscrição privada, é uma condição essencial para a validação do plano de recuperação extrajudicial da produtora de etanol, já homologado pela Justiça.
O plano prevê a emissão de um volume entre 14 bilhões e 159,2 bilhões de novas ações, com um valor mínimo de R$ 3,5 bilhões. As ações podem ser ordinárias, preferenciais classe A ou preferenciais classe B, com o preço de emissão fixado em R$ 0,25 por ação ou R$ 0,50 por unit (recibo de ações composto por uma ação ordinária e uma preferencial). A Aguassanta Participações, ligada ao fundador da Cosan, Rubens Ometto, tem a opção de investir até R$ 500 milhões.
Direito de preferência e diluição acionária
Os demais acionistas da Raízen possuem direito de preferência na subscrição das novas ações. O prazo para exercer esse direito se estende de 9 de novembro a 8 de dezembro de 2026. A data de corte para ter direito à subscrição foi o final do pregão desta sexta-feira (6). Quem adquirir ações a partir de segunda-feira (9) as receberá "ex-direito", sem a possibilidade de subscrever as novas emissões.
A não participação no aumento de capital pode resultar em uma diluição significativa para os acionistas. Caso seja subscrita apenas a quantidade mínima de ações, a participação poderá ser reduzida em aproximadamente 57%. No cenário de subscrição máxima, a diluição pode chegar a 94%.
Destinação dos recursos e novos programas
A destinação dos recursos arrecadados dependerá da adesão da Aguassanta Participações. Caso o total aportado supere R$ 5 bilhões (com a adesão da Aguassanta), 70% do excedente será destinado ao pagamento ou amortização de dívidas financeiras da Raízen e suas controladas, enquanto os 30% restantes irão para o capital de giro. Se a Aguassanta não aderir, o limite para destinação integral ao capital de giro cai para R$ 4,5 bilhões, mantendo a mesma proporção.
Paralelamente, o conselho aprovou a instituição de um programa de units com o BTG Pactual, que atuará como instituição depositária, e um programa de ADS (recibos de ações negociados nos EUA) de nível I, com o Citibank como banco depositário. Ambos os programas estão condicionados à homologação do aumento de capital.
Opções para credores e próximos passos
A Raízen também aprovou a quinta emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, em duas séries, a serem integralizadas por credores sujeitos ao plano. A partir de novembro de 2026, os detentores de debêntures e CRAs da empresa terão que escolher entre três opções de recebimento:
- Opção A: Conversão de parte da dívida em ações e entrega de uma nova dívida.
- Opção B: Desconto de 80%, com pagamento único em 2047.
- Opção C: Pagamento à vista, com corte a partir de 25% para pequenos credores.
O período para a escolha das opções pelos credores ocorrerá de 7 a 27 de dezembro, com a expectativa de que os novos títulos sejam emitidos até 31 de março de 2027.



