Quiva: aplicativo de ecossistema completo para surfistas é lançado no Brasil

Destaques
- •O aplicativo Quiva busca centralizar compra, venda e comunidade de surfistas em uma única plataforma.
- •A plataforma cobra comissão de 10% de lojas parceiras e planeja novas formas de monetização.
- •Os fundadores planejam expandir a atuação internacionalmente e atingir 100 mil usuários no Brasil.
Amigos de infância e surfistas apaixonados, Diego Gallego e Rodrigo Simoes Tavares criaram o Quiva, um aplicativo que se propõe a ser um ecossistema completo para o universo do surfe. Lançado em janeiro de 2026, a plataforma reúne em um só lugar a compra e venda de equipamentos, lojas especializadas e uma comunidade de surfistas, antes dispersos em grupos de WhatsApp, Instagram e sites de classificados.
A ideia para o Quiva surgiu quando Diego Gallego, que morava em San Diego, Califórnia, percebeu a dificuldade em encontrar equipamentos de surfe usados. Ao buscar por pranchas, notou que as ofertas estavam espalhadas por diversas redes sociais e plataformas de classificados. A inspiração veio de um aplicativo local focado no comércio de pranchas, que ele adaptou às necessidades do mercado brasileiro.
Do MVP ao público geral: a evolução do Quiva
O desenvolvimento do Quiva começou em junho de 2025, com uma versão de testes (MVP) lançada em novembro do mesmo ano, reunindo cerca de 250 usuários. O aplicativo chegou ao público geral em janeiro de 2026, disponível na App Store e Play Store. O lançamento foi impulsionado por vídeos virais no Instagram, que atraíram aproximadamente dois mil usuários iniciais.
Inicialmente focado na venda de pranchas usadas entre pessoas físicas, o Quiva expandiu sua operação com a adesão de lojas e fabricantes de pranchas, conhecidos como "shapers". A plataforma passou a incluir produtos novos, equipamentos diversos, roupas de surfe e serviços como aulas. Profissionais como fotógrafos e professores de surfe também ganharam um espaço gratuito na aba Comunidade para divulgar seus trabalhos.
Diferenciais e organização do mercado de surfe
Diferentemente das redes sociais e sites de classificados, o Quiva oferece filtros específicos para o esporte, como medidas de pranchas, tipo de quilhas, estado de conservação e distância entre usuários. Um exemplo é o filtro para quilhas de marcas específicas, garantindo o encaixe, e até mesmo um filtro para "conjunto incompleto", para quem perdeu uma quilha. Essa organização e a disponibilidade de dados e métricas prometem acabar com a "bagunça" do mercado.
Atualmente, o Quiva está presente em 14 estados brasileiros, com foco em expandir a oferta de produtos antes de investir em atrair compradores em novas regiões. São Paulo e Santa Catarina são mercados prioritários, com mais de 2 mil pranchas disponíveis nessas localidades.
Logística, segurança e monetização
A logística de entrega é terceirizada e de responsabilidade do vendedor, embora a startup tenha testado um parceiro de entregas que foi retirado da plataforma devido a problemas no transporte de pranchas. Grandes fabricantes preferem despachar por conta própria, e no Rio de Janeiro, muitas vendas são resolvidas com retirada pessoal.
Para combater golpes, o Quiva monitora denúncias de usuários suspeitos e anúncios fora do escopo do surfe. A empresa já lidou com casos em que compradores foram levados para outras plataformas e sofreram golpes, reforçando a necessidade de blindar o aplicativo.
A principal fonte de receita do Quiva são as comissões de 10% cobradas de lojas parceiras verificadas. Em troca, essas lojas recebem uma estrutura de loja própria, maior exposição e apoio na divulgação. A empresa planeja ampliar a monetização com a "Garantia Quiva" (pagamento protegido), planos mensais para lojas e shapers, e anúncios em destaque. A implementação de pagamentos dentro do aplicativo poderá levar à cobrança de taxas de 3% para comprador e 3% para vendedor em transações entre pessoas físicas.
Aporte e planos de expansão
No início de 2026, o Quiva recebeu um investimento de um investidor-anjo, que comprou 1% da empresa por R$ 20 mil, avaliando a startup em R$ 2 milhões. Os recursos foram direcionados para tecnologia, marketing e jurídico. Os custos iniciais são divididos pelos fundadores.
Uma nova rodada de captação foi adiada para que a empresa amplie sua base de usuários. O objetivo é atingir cerca de 100 mil usuários antes de buscar novos investimentos. O Quiva também está aberto a conversas com fundos internacionais e interessados em marketplaces, com metas de expansão para Portugal, Marrocos, Indonésia e Austrália até o fim de 2027.
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