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QI Tech é alvo de busca e apreensão por fraudes fiscais em fundos

05 de novembro de 2026
QI Tech é alvo de busca e apreensão por fraudes fiscais em fundos

Destaques

  • •QI Tech, empresa de serviços bancários e ex-unicórnio brasileiro, teve unidades alvo de busca e apreensão em operações contra fraudes fiscais.
  • •Investigações apontam uso de notas fiscais falsas para gerar créditos tributários indevidos a usinas de biodiesel, envolvendo fundos administrados pela empresa.
  • •QI Tech afirma que os fatos investigados são anteriores à sua aquisição da Singulare e que não está sendo investigada.

A QI Tech, empresa de serviços bancários que se tornou o 26º “unicórnio brasileiro” há dois anos, foi alvo de busca e apreensão na última quarta-feira, 4, em operações conduzidas pelo Ministério Público do Paraná e pela Receita Federal. As investigações, batizadas de Operações Enxágue e Catéter, apuram fraudes fiscais que teriam ocorrido entre 2016 e 2021, período anterior à aquisição da corretora Singulare pela QI Tech em 2023. Os fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs) administrados pela antiga Singulare, agora sob gestão da QI Tech, estão no centro do esquema.

Esquema de notas fiscais falsas

O esquema investigado envolvia a criação de empresas de fachada, registradas em nome de laranjas, que emitiam notas fiscais falsas. O objetivo era gerar créditos tributários indevidos para usinas de biodiesel, que utilizam subprodutos de origem animal, como sebo e gordura, como matéria-prima. A emissão de notas fiscais falsas permitia que os compradores (as usinas de biodiesel) obtivessem créditos fiscais, enquanto as empresas emissoras (as “noteiras”) não recolhiam os impostos devidos por não realizarem a operação de venda.

As notas fiscais fraudulentas simulavam a compra e venda desses subprodutos. Posteriormente, os títulos ligados a essas operações inexistentes eram vendidos para fundos de investimento ligados à Singulare e outras securitizadoras, conferindo uma aparência de legalidade a ativos sem lastro real no mercado financeiro.

Posicionamento da QI Tech

Procurada, a QI Tech esclareceu que os fatos investigados ocorreram em um período anterior à sua aquisição da Singulare. A fintech declarou que seu papel foi apenas fornecer informações para auxiliar nas investigações das autoridades.

“A companhia reforça que não está sendo investigada e reitera seu compromisso com a transparência e a legalidade, mantendo-se aberta ao diálogo e à prestação de esclarecimentos sempre que necessário”, afirmou a empresa em nota.

Valores bloqueados e próximos passos

As operações resultaram no bloqueio de R$ 271 milhões em ativos ligados ao grupo criminoso. Deste montante, R$ 63,8 milhões referem-se a cotas de 10 FIDCs, e outros R$ 10,9 milhões estavam relacionados a quatro companhias securitizadoras. As investigações continuam para desarticular completamente o esquema e recuperar os valores desviados.

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