Próximo presidente herdará economia desafiadora com dívida alta e endividamento

Destaques
- •Candidatos Lula e Flávio Bolsonaro não apresentaram planos detalhados para enfrentar os desafios econômicos do Brasil.
- •Dívida bruta do governo geral atingiu R$ 11,1 trilhões (82,9% do PIB), dificultando a redução da taxa de juros.
- •Mercado financeiro aguarda um ajuste fiscal, mas o próximo governo enfrentará pressão por crescimento e controle de custos.
O próximo presidente do Brasil, seja Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), herdará um cenário econômico desafiador em janeiro de 2027. A dívida pública elevada, o custo de vida alto e o endividamento recorde da população são os principais problemas. Economistas ouvidos pela BBC News Brasil e Forbes apontam que nenhum dos candidatos apresentou planos claros e detalhados para enfrentar essas questões, que deverão ser o foco principal do governo.
A dívida bruta do governo geral atingiu R$ 11,1 trilhões em agosto, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse patamar representa um desafio para a capacidade do governo de honrar suas obrigações e dificulta a redução da taxa de juros pelo Banco Central, encarecendo investimentos e empréstimos.
Desafios Fiscais e Propostas dos Candidatos
Flávio Bolsonaro sinaliza um corte de gastos de 1,5% a 2% do PIB nos primeiros 18 meses, focando em redução de ministérios e despesas administrativas. No entanto, promete manter o reajuste real do salário mínimo e benefícios sociais, o que, segundo analistas, pode inviabilizar o ajuste fiscal sem mexer em gastos obrigatórios. Economistas como Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, alertam que um ajuste fiscal relevante exigirá mudanças nas regras de gastos obrigatórios, algo que os planos de ambos os candidatos não detalham suficientemente.
Lula, por sua vez, criou despesas fiscais com impacto de quase R$ 200 bilhões até 2030 e aposta no crescimento econômico para reduzir a dívida, sem compromisso com cortes de despesas. Economistas alertam que suas promessas eleitorais, como o Desenrola 3.0 e o aumento do Bolsa Família, podem agravar o quadro fiscal. Ambos os candidatos evitam aprofundar a discussão sobre a redução das despesas obrigatórias, que representam cerca de 95% do orçamento da União.
Crescimento Econômico e Custo de Vida
A economia brasileira deve crescer menos em 2027, com projeções do Boletim Focus indicando alta de apenas 1,32% para o PIB. A desaceleração é atribuída à redução de estímulos fiscais, juros elevados e uma possível retração do agronegócio devido ao El Niño. O eleitor, impactado pelo custo de vida e endividamento, avalia o governo pelo que sente no bolso.
Flávio Bolsonaro propõe dobrar o ritmo de crescimento para 4% ao ano, com medidas como facilitação de licenciamento ambiental e desestatizações. Lula aposta na indução estatal ao investimento privado e no fortalecimento da demanda interna. Economistas como Bruno Imaizumi (4intelligence) são céticos quanto a um aumento significativo do potencial de crescimento do país sem reformas estruturais.
Para reverter o mau humor da população, Lula propõe valorização do salário mínimo e controle da inflação, além de medidas para baratear alimentos e energia. Flávio Bolsonaro sugere redução de impostos sobre consumo e simplificação da conta de luz. Ambos propõem recomprar dívidas, mas a proposta de carência de seis meses para famílias e um ano para empresas por parte de Bolsonaro gerou críticas do mercado financeiro.
O Exemplo Argentino e Limites do Ajuste
A experiência argentina sob Javier Milei, com seu "Plano Motosserra" de cortes profundos de gastos, é vista por Flávio Bolsonaro como um exemplo a ser seguido, enquanto Lula alerta para os custos sociais. Na Argentina, o ajuste reduziu a inflação e equilibraram as contas públicas, mas a pobreza voltou a subir e o desemprego aumentou, gerando insatisfação popular.
Especialistas ressaltam que Brasil e Argentina possuem realidades distintas. O Brasil conta com reservas internacionais elevadas e um sistema federativo mais robusto, o que lhe confere maior capacidade de absorver choques. Uma "motosserra" no Brasil exigiria uma sociedade disposta a bancar o custo do ajuste, algo que, segundo Tito Nolazco, não é o cenário atual.
Próximos Passos e Reformas Estruturais
Economistas como Felipe Salto (Warren Investimentos) defendem um ajuste gradual, distribuído em quatro anos, para evitar recessão. Sugestões incluem corte de emendas parlamentares, desindexação da Previdência, revisão de gastos tributários e fim de supersalários. Rafaela Vitória (Banco Inter) aponta a desvinculação de gastos obrigatórios e pisos de saúde/educação como medidas cruciais.
A longo prazo, reformas tributária, administrativa, da Previdência, abertura comercial e melhoria na educação e produtividade são apontadas como essenciais para o crescimento sustentável do PIB brasileiro. A capacidade de aprovar mudanças impopulares, mesmo com um Congresso alinhado, será o grande teste para o próximo presidente.
Matérias originais
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- Como Fazer o Brasil Voltar a Crescer? Quais São os Desafios Econômicos do Próximo Presidente · forbes.com.br
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