Profissionais de TI resistem a IA autônoma em segurança e redes

Destaques
- •A maioria dos profissionais de segurança e TI não confia em agentes de IA para realizar modificações autônomas em sistemas.
- •A adoção de IA em ambientes de produção cresce, mas a confiança na capacidade de controle das empresas é baixa.
- •Triagem de alertas é vista como área mais promissora para a aplicação de IA, com recomendações para implementação gradual e supervisionada.
A grande maioria dos profissionais de segurança, redes e tecnologia da informação (TI) no mundo se recusa a conceder autonomia total a agentes de inteligência artificial (IA) para modificar sistemas sem supervisão humana. Um relatório da Netskope, publicado em outubro de 2026, aponta que 68% desses especialistas não autorizariam alterações autônomas por parte dessas ferramentas, demonstrando uma forte resistência à delegação completa de tarefas críticas.
Essa relutância contrasta com a adoção crescente da tecnologia. Atualmente, 29% das equipes já utilizam agentes de IA em ambientes de produção. No entanto, a confiança na capacidade das empresas de controlar a atuação desses agentes é baixa: apenas 9% dos entrevistados se declaram muito confiantes, enquanto 45% possuem pouca ou nenhuma confiança.
Pressão operacional impulsiona busca por IA
O relatório, baseado em respostas de 921 profissionais, revela que o principal motor para o interesse em agentes de IA é o aumento da carga de trabalho. Cerca de 81% das equipes registraram um aumento na demanda nos 12 meses anteriores à pesquisa, mas somente 11% conseguem acompanhar esse ritmo de forma consistente.
Essa pressão operacional tem consequências práticas significativas. Devido a limitações de ferramentas ou de pessoal, 42% das equipes relatam alertas e chamados que não foram investigados. Para 24%, dados sensíveis, sistemas ou usuários permaneceram expostos por mais tempo do que o ideal.
Diante desse cenário, 47% das equipes planejam usar agentes de IA em fluxos de trabalho manuais nos próximos 12 meses. Outros 32% pretendem expandir seus quadros de profissionais.
Receios e obstáculos à autonomia da IA
Os 68% de profissionais que se opõem a mudanças autônomas se dividem: 38% não aceitariam nenhuma alteração operacional executada por agentes, e 30% exigiriam aprovação humana prévia. Ações como desativar contas ou isolar recursos em nuvem são as que geram maior resistência.
Os principais receios identificados são ações inseguras ou não intencionais (48%), acessos e permissões excessivos (40%) e decisões baseadas em informações incorretas (35%). A fragmentação de informações entre diferentes ferramentas também é um obstáculo, com 51% dos participantes citando a dispersão de dados como dificuldade para a resolução ágil de problemas.
Além disso, 46% dos profissionais afirmam gastar mais de um quarto do tempo de trabalho transferindo informações entre diversas plataformas, painéis e relatórios.
Triagem de alertas como ponto de partida para IA
A triagem e a priorização de alertas surgem como uma área de entrada mais aceita para os agentes de IA. Cerca de 46% dos entrevistados se sentem confortáveis em delegar essas tarefas à tecnologia, e 48% esperam valor significativo nessa aplicação, pois os agentes podem organizar e priorizar casos para análise sem interferir diretamente nos sistemas.
O relatório da Netskope orienta as organizações a iniciarem a implementação de IA em fluxos de trabalho delimitados, comparando os resultados com o esforço manual anterior. Recomenda-se também designar um responsável por cada agente, restringir permissões ao estritamente necessário, exigir aprovação para mudanças de alto impacto e testar a capacidade de interromper ações e recuperar operações antes de conceder maior autonomia.



