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Prio foca em petróleo e ignora diversificação para renováveis

05 de novembro de 2026
Prio foca em petróleo e ignora diversificação para renováveis

Destaques

  • •A Prio, maior produtora independente de petróleo e gás do Brasil, anuncia que manterá o foco na exploração de petróleo, contrariando a tendência de diversificação para energias renováveis de concorrentes.
  • •A empresa divulgou resultados recordes no terceiro trimestre de 2026, com alta de 171% na receita e 468% no lucro líquido, impulsionados pela produção de campos como Wahoo, Frade e Peregrino.
  • •A Prio pretende acompanhar a evolução da transição energética, mas prioriza a especialização e eficiência operacional em sua estratégia de negócios.

A Prio, maior produtora independente de óleo e gás do Brasil, comunicou que manterá seu foco na produção de petróleo, dispensando planos de diversificação para fontes de energia renovável, como solar e eólica. A decisão contrasta com a estratégia de grandes petroleiras internacionais e até mesmo da Petrobras, que buscam se adaptar à transição energética.

Em entrevista, o CEO da Prio, Roberto Monteiro, afirmou que a empresa continuará produzindo petróleo e não migrará para outros tipos de energia. Ele ressaltou que a especialização da companhia em adquirir e otimizar campos maduros de petróleo é seu modelo de negócios principal. "O fato de você produzir petróleo não quer dizer que você vai produzir energia elétrica bem", declarou Monteiro, defendendo que o petróleo continuará relevante por muitos anos.

Resultados recordes impulsionam estratégia

A estratégia da Prio se alinha com seus recentes resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026. A empresa registrou uma receita total de US$ 1,6 bilhão, um aumento de 171% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado cresceu 235%, alcançando US$ 1,1 bilhão, e o lucro líquido disparou 468%, chegando a US$ 521 milhões.

A produção média atingiu um recorde de 191,6 mil barris por dia, um aumento de 117% na comparação anual. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelos campos de Wahoo, Frade e Peregrino. O volume vendido também foi recorde, e o custo de extração (lifting cost) caiu 55%, para US$ 7,9 por barril.

Compromisso ambiental e eficiência operacional

Apesar de manter o foco no petróleo, a Prio demonstrou avanços na redução de seu impacto ambiental. No terceiro trimestre, a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (escopos 1 e 2) recuou 54% em relação ao mesmo período de 2025, atingindo 17,7 quilos de CO² equivalente por barril de óleo equivalente produzido. Um dos fatores para essa redução foi a conclusão do reparo do gasoduto de Peregrino, que permitiu o uso de gás natural em vez de diesel para geração de energia.

Monteiro defende que a continuidade da produção de petróleo não impede a responsabilidade ambiental. A ambição declarada da empresa é combinar eficiência operacional, redução da pegada de carbono e retorno aos acionistas. "A gente tenta reduzir ao máximo a nossa pegada de CO². A gente tenta ser o mais eficiente possível e, depois do nosso resultado, devolver para a sociedade", afirmou o executivo.

Concorrentes investem em renováveis

A estratégia da Prio se contrapõe à de outras empresas do setor. A francesa TotalEnergies, por exemplo, firmou parceria para desenvolver 12 gigawatts (GW) em projetos renováveis no Brasil até 2030. A norueguesa Equinor participa de complexos solares no Ceará e Rio Grande do Norte, e a britânica BP assumiu o controle integral de uma empresa de açúcar e etanol.

A Petrobras, embora mantenha o petróleo como prioridade, destina US$ 13 bilhões de seu plano de investimentos para a transição energética, focando em biocombustíveis e descarbonização de operações.

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