Presidente do Paraguai renuncia, sofre impeachment e vai para prisão domiciliar

Destaques
- •Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai após intervenção no Ueno Bank, que bloqueou recursos de 3 milhões de clientes.
- •O Congresso aprovou o impeachment de Peña, que foi detido e colocado em prisão domiciliar, enquanto o vice-presidente Pedro Alliana assume o cargo.
- •O Ministério Público investiga Peña e o ex-presidente do Banco Central por suspeitas de irregularidades relacionadas à crise financeira e ao banco.
Em menos de 48 horas, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo, teve o impeachment aprovado pelo Congresso e foi colocado em prisão domiciliar. A crise política foi desencadeada pela intervenção no banco digital Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos, o que representa quase metade da população paraguaia.
Peña foi detido por agentes da polícia paraguaia na noite de sexta-feira (6), após o Ministério Público emitir uma ordem de prisão contra ele e o ex-presidente do Banco Central, Carlos Dagoberto Carvalho. Ambos são investigados por suspeitas de irregularidades relacionadas à crise financeira. A detenção ocorreu poucas horas depois de o Senado aprovar sua destituição por 44 votos favoráveis. Peña deverá permanecer em sua residência em Assunção até que a Justiça decida seu destino durante o processo criminal.
Entenda a crise do Ueno Bank
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A medida foi adotada após a identificação de problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco. O índice de solvência da instituição estava abaixo da metade do mínimo exigido para sua operação.
Com a intervenção, as contas de aproximadamente 3 milhões de clientes foram bloqueadas. O banco também administrava cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos. Peña, que assumiu a Presidência em 2023, foi acionista até março de 2025 do Grupo Vázquez, proprietário do Ueno Bank. A oposição acusa o ex-presidente de conflito de interesses e manipulação regulatória.
Como aconteceu o impeachment?
A crise política se intensificou na quinta-feira (5), quando o Congresso iniciou os procedimentos para analisar o impeachment de Santiago Peña. Naquele dia, a Câmara dos Deputados aprovou a acusação contra o presidente por 78 votos favoráveis e nenhum contrário, permitindo que o processo avançasse ao Senado. Antes da votação, Peña havia anunciado sua renúncia, buscando preservar a estabilidade do país.
No entanto, parlamentares da oposição resistiram à proposta, entendendo que a saída voluntária poderia permitir que Peña mantivesse o foro privilegiado. Na noite de quinta-feira, o Senado iniciou uma sessão para debater o pedido de impeachment, que foi aprovado na sexta-feira (6) por 44 votos favoráveis e uma abstenção, encerrando o mandato de Peña.
Prisão domiciliar e nova presidência
Pouco depois da destituição, o Ministério Público determinou a prisão de Peña e de Carlos Carvallo. Por volta das 20h20 de sexta-feira, o presidente destituído foi detido e informado que permaneceria em prisão domiciliar. O Ministério Público analisará as provas antes de formalizar as acusações, que podem incluir abuso de confiança e tráfico de influência.
O então vice-presidente, Pedro Alliana, tomou posse como presidente do Paraguai na noite de sexta-feira e deverá concluir o mandato presidencial previsto para terminar em 2028. Em seu primeiro pronunciamento, Alliana determinou a adoção de medidas imediatas para atender os clientes prejudicados pela crise do Ueno Bank, prometendo compensação integral aos afetados.
Matérias originais
- Impeachment e prisão em menos de 48h: entenda situação de Santiago Peña · cnnbrasil.com.br



