Preços globais de alimentos caem em outubro, mas seguem 6% mais altos que no ano anterior

Destaques
- •Índice de Preços de Alimentos da FAO registrou queda em outubro, impulsionado por cereais, laticínios e carnes.
- •Apesar da queda mensal, os preços globais de alimentos permanecem 5,9% acima dos níveis de outubro de 2022.
- •Acompanhar o impacto das condições climáticas no Brasil e as tensões geopolíticas nos fluxos de exportação do Mar Negro.
Os preços mundiais dos alimentos registraram uma ligeira queda em outubro, impulsionados pela menor demanda por importações e quedas mensais nos preços de cereais, laticínios e carnes. No entanto, os valores ainda se mantêm quase 6% mais altos do que no mesmo período do ano anterior, conforme informado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que monitora as variações mensais em uma cesta de commodities alimentícias, atingiu uma média de 133,9 pontos em outubro, uma redução em relação aos 135,6 pontos de setembro. Apesar da queda em relação ao mês anterior, o índice permaneceu 5,9% acima do registrado no ano anterior, mas ainda 16,4% abaixo de seu pico em março de 2022.
Queda nos preços de cereais e carnes
O índice de preços de cereais da FAO apresentou uma queda de 4,5% em relação a setembro, ficando 12,6% abaixo do registrado no ano anterior. Essa redução foi atribuída à queda nas cotações do trigo e do milho. Os preços do trigo recuaram devido à fraca demanda por importações e às melhores perspectivas de produção, especialmente na Argentina.
As expectativas de flexibilização das restrições aos fluxos de exportação do Mar Negro contribuíram para a pressão de baixa sobre os preços dos cereais, embora as contínuas interrupções na logística da região tenham limitado essa queda, segundo a FAO.
Os preços do milho também recuaram após atingirem o maior valor em três anos em setembro. A pressão de baixa foi causada pela safra nos EUA, expectativas de oferta abundante na América do Sul e pela amenização das tensões na região do Mar Negro.
O índice de carnes recuou 1,2%, embora ainda estivesse ligeiramente acima do nível do ano anterior. A queda foi observada nos preços das carnes suína, ovina e bovina.
Açúcar em alta e laticínios em baixa
Em contrapartida, os preços dos óleos vegetais subiram 0,3%, impulsionados pelos preços mais altos da soja e do óleo de girassol, que compensaram a queda nos preços do óleo de colza.
O açúcar foi o destaque de alta, com os preços subindo 6,6%, marcando o quarto aumento mensal consecutivo e atingindo o nível mais alto desde dezembro de 2024. A elevação ocorreu após chuvas terem interrompido a colheita no Brasil. Atualmente, os preços do açúcar estão 28,8% acima do nível do ano anterior.
O índice de laticínios caiu 1,1%, com preços mais baixos de manteiga e queijo, associados à oferta abundante e à demanda moderada, superando os ganhos no leite em pó.
Impacto e próximos passos
A queda nos preços globais de alimentos em outubro, embora modesta, pode trazer algum alívio em um cenário de inflação persistente. No entanto, a alta contínua nos preços do açúcar, influenciada por fatores climáticos no Brasil, e a persistência de tensões geopolíticas que afetam a logística de exportação, como no Mar Negro, indicam que a volatilidade pode continuar.
Os consumidores brasileiros podem observar uma leve desaceleração na alta de alguns produtos, mas a dependência de commodities internacionais e eventos climáticos sugere cautela. Acompanhar os próximos relatórios da FAO e os desdobramentos no Mar Negro será crucial para entender a tendência futura dos preços de alimentos.



