Porto (PSSA3) tem lucro líquido de R$ 839 milhões e ações caem 2%

Destaques
- •A Porto registrou lucro líquido de R$ 839 milhões no terceiro trimestre de 2026, um aumento de apenas 1% em relação ao ano anterior.
- •A inadimplência no Porto Bank subiu para 10,2%, levando a um aumento de 48% nas provisões para perdas com crédito, impactando a rentabilidade.
- •A companhia revisou o guidance para 2026, elevando as projeções de perdas com crédito no Porto Bank e reduzindo as de receita total da vertical.
As ações da Porto (PSSA3) operam em queda nesta quinta-feira (5), com o mercado repercutindo o balanço do terceiro trimestre de 2026. Apesar do crescimento nas receitas totais, que alcançaram R$ 11 bilhões (alta de 10%), a piora nos indicadores de crédito do Porto Bank e a queda no lucro líquido recorrente pesaram sobre o resultado. Por volta das 12h05, os papéis PSSA3 caíam 2,09%, a R$ 43,95.
Entre julho e setembro, a companhia registrou lucro líquido de R$ 839 milhões, alta de apenas 1% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro líquido recorrente somou R$ 713 milhões, um recuo de 14% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 20,7%, queda de 2,3 pontos percentuais (p.p) na base anual, enquanto o indicador recorrente foi de 17,6%, 5,3 p.p abaixo do registrado há um ano. Segundo a Porto, a diversificação dos negócios e a complementaridade entre as verticais contribuíram para sustentar os resultados em um cenário de crédito mais desafiador.
Resultados das verticais sob pressão
Na divisão de seguros, as receitas totais somaram R$ 6,2 bilhões, avanço de 9,4% na comparação anual. No entanto, o crescimento veio acompanhado de uma piora na sinistralidade, que subiu 0,9 ponto percentual, para 59,1%. Na vertical de saúde, as receitas também avançaram, impulsionadas pela expansão da base de beneficiários dos planos de Saúde e Odonto. Ainda assim, o lucro da unidade caiu 34% em um ano, para R$ 84 milhões.
Para os analistas do Safra, receitas financeiras mais fracas e maior sinistralidade em saúde pressionaram a rentabilidade, embora a maior parte dessas pressões já fosse esperada. A divisão de serviços segue em processo de estruturação e ampliação de parcerias estratégicas, com o objetivo de diversificar os ramos de atuação e ampliar a oferta de serviços. A combinação de resultados, segundo o Safra, "provavelmente desencadeará revisões para baixo das estimativas de lucros" para a Porto.
Porto Bank: inadimplência e provisões elevadas
O principal ponto de atenção no balanço foi o Porto Bank. Embora a receita da divisão tenha crescido 13% em um ano, para R$ 2 bilhões, o avanço dos indicadores de inadimplência exigiu um aumento expressivo das provisões para perdas com crédito. A carteira de crédito alcançou R$ 23,7 bilhões, alta de 9,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A carteira administrada de consórcios também cresceu, com expansão de 28,8% na base anual, para R$ 132 bilhões.
O crescimento dos negócios veio acompanhado de uma deterioração da qualidade do crédito. O índice de inadimplência acima de 90 dias na carteira de 360 dias subiu para 10,2%, ante 9,4% no trimestre anterior e 7,2% um ano antes. As despesas com provisões para perdas de crédito somaram R$ 843 milhões no trimestre, um salto de 48% em relação ao mesmo período do ano passado. A Porto atribuiu a pressão a um ciclo de crédito mais adverso e à adoção de uma postura mais conservadora na gestão de risco.
O banco apertou os critérios de concessão, reforçou as estratégias de cobrança e direcionou o crescimento para produtos com garantias mais robustas. Segundo a companhia, as iniciativas para melhorar a qualidade da carteira já começam a aparecer nos indicadores, mas a administração mantém cautela. O lucro líquido do Porto Bank recuou 13% na comparação anual, para R$ 170,7 milhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu 5,8 pontos percentuais, para 20,3%.
Mudanças no guidance para 2026
Junto com os resultados, a Porto revisou parte das projeções para 2026, com as principais mudanças no Porto Bank. O guidance para perdas esperadas com crédito foi elevado, enquanto as projeções para receitas encolheram.
Veja as principais revisões no guidance da Porto para 2026:
- Porto Bank: Receita Total Vertical revisada de R$ 7,7 bilhões a R$ 8,1 bilhões para R$ 7,5 bilhões a R$ 7,9 bilhões. Perdas de Crédito elevadas de -R$ 3,1 bilhões a -R$ 3,5 bilhões para -R$ 3,4 bilhões a -R$ 3,8 bilhões.
- Porto (Consolidado): Resultado Financeiro revisado de R$ 1,4 bilhões a R$ 1,8 bilhões para R$ 1,1 bilhões a R$ 1,5 bilhões. Taxa Efetiva revisada de 23% a 27% para 17% a 21%.
Apesar das revisões, a companhia afirma que o crescimento das receitas, a expansão dos negócios e os ganhos de eficiência mostram que a operação mantém fundamentos sólidos, mesmo com o impacto da deterioração do crédito sobre a rentabilidade.



