Políticos de extrema-direita europeus se distanciam de Donald Trump após eleições nos EUA

Destaques
- •Líderes de extrema-direita europeus, antes aliados de Donald Trump, buscam se desvincular após resultados eleitorais nos EUA.
- •A mudança de postura é atribuída a políticas externas intervencionistas e ao aumento do custo de vida, evitando críticas diretas a Trump.
- •Analistas apontam que o distanciamento visa evitar que a impopularidade de Trump se torne um risco eleitoral para esses líderes.
Políticos de extrema-direita na Europa, que antes celebravam laços ideológicos com Donald Trump, começam a se distanciar do ex-presidente dos Estados Unidos. A mudança de postura ocorre após a vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos EUA, que resultou no controle democrata da Câmara e do Senado. Embora evitem críticas diretas a Trump, líderes como Jordan Bardella (Reunião Nacional, França) e Alice Weidel (Alternativa para a Alemanha - AfD) atribuem as derrotas republicanas a políticas externas intervencionistas, como a guerra contra o Irã, e ao aumento do custo de vida, sem mencionar diretamente o ex-presidente como o responsável.
Mudança de Tática e Justificativas
Jordan Bardella afirmou que o segundo mandato de Trump foi menos isolacionista, citando as graves consequências da intervenção americana no Irã para as economias globais. Já Alice Weidel declarou que a promessa quebrada de Trump de não seguir uma política externa intervencionista voltou para assombrar os republicanos. Matteo Salvini, da Liga italiana, e Roberto Vannacci, do Futuro Nacional, também ligaram o resultado eleitoral às guerras, tensões internacionais e ao aumento do custo de vida, que impactaram diretamente as famílias e a classe média.
Roberto Vannacci criticou Trump por não ter cumprido a promessa de acabar com a guerra na Ucrânia e por iniciar um conflito contra o Irã, o que teria levado ao aumento dos preços de energia e turbulência econômica. Rupert Lowe, do Restore Britain, classificou a decisão de atacar o Irã como um "erro catastrófico" sem resultados positivos.
Risco de 'Peso Eleitoral' e Estratégia Política
Segundo o analista Mujtaba Rahman, diretor-gerente da Eurasia Group, o distanciamento visa uma vantagem política, pois a crescente impopularidade de Trump, especialmente em relação ao custo de vida, pode transformar um "trunfo político" em "risco eleitoral". Os líderes de extrema-direita europeia buscam, assim, colher o "impulso ideológico do trumpismo" sem serem manchados pelo "caos e pela perturbação econômica" de sua presidência.
Existe o risco de que Trump e seus aliados reajam negativamente, retirando apoio político ou voltando-se contra esses líderes europeus. Nigel Farage, do Reform UK, reconheceu a "derrota completa e total" para os republicanos, atribuindo-a em grande parte à guerra no Irã e ao custo do combustível, e mencionou o potencial para um desentendimento entre Trump e o vice-presidente JD Vance.
Reação da Casa Branca e Posicionamento de Trump
Em resposta ao resultado eleitoral, a Casa Branca divulgou um comunicado afirmando que Donald Trump "nunca vai parar de lutar" contra as tentativas democratas de reverter suas políticas. O comunicado, intitulado "O presidente Trump mais uma vez desafiará as probabilidades, as notícias falsas e a esquerda radical", antecipa uma ofensiva democrata contra a agenda republicana, incluindo flexibilização das restrições na fronteira, aumento de impostos e retomada de políticas de transição energética.
Trump, por sua vez, desdenhou da possibilidade de um novo processo de impeachment, afirmando que "destruiria o Partido Democrata". Ele declarou que o país está "mais bem-sucedido agora do que em qualquer momento da história". Dirigentes republicanos cobram mudanças na condução política, mas Trump não demonstrou disposição imediata para alterar suas prioridades, apesar de a nova composição do Congresso permitir investigações parlamentares e dificultar a aprovação de projetos presidenciais.
Matérias originais
- Extrema-direita europeia se distancia de Trump e atribui derrota à guerra no Irã · infomoney.com.br
- Casa Branca desafia democratas e prevê ofensiva por impeachment: ‘Trump nunca vai parar de lutar’ · operamundi.uol.com.br
- Extrema direita europeia se distancia de Trump · agenciabrasil.ebc.com.br



