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Polícia desarticula grupo que arrecadou R$ 10 milhões com deepfakes de famosos

28 de outubro de 2026
Polícia desarticula grupo que arrecadou R$ 10 milhões com deepfakes de famosos

Destaques

  • •Grupo usava inteligência artificial para criar vídeos falsos com celebridades e padres para aplicar golpes
  • •Mais de R$ 9,8 milhões foram arrecadados em 215 mil transações em menos de dois meses
  • •Investigados responderão por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta quarta-feira (28) uma operação contra um grupo suspeito de arrecadar quase R$ 10 milhões com falsas campanhas de doação na internet. Para atrair doadores, os alvos utilizavam vídeos criados com inteligência artificial que reproduziam imagens de personalidades como o cantor Gusttavo Lima e os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo. A ação cumpre seis mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em cinco estados, além do DF. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros e patrimoniais. Até o momento, cinco investigados foram presos.

Segundo a polícia, o grupo criava e divulgava páginas falsas de arrecadação de doações, utilizando imagens de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para gerar comoção e induzir as vítimas a realizar transferências financeiras. Para ampliar o alcance das campanhas e atrair mais pessoas, os investigados recorriam a ferramentas de inteligência artificial, incluindo as chamadas ‘deepfakes’, para criar vídeos falsos com imagens de personalidades públicas e representações religiosas, como Jesus Cristo. Os conteúdos circulavam nas redes sociais, direcionando os usuários a páginas que simulavam campanhas beneficentes legítimas, mas os valores arrecadados eram transferidos para contas bancárias controladas pelo grupo.

Arrecadação milionária em curto período

As apurações mostraram que, entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma única empresa vinculada à organização recebeu 215.575 transações, totalizando mais de R$ 9,8 milhões. Os pagamentos eram, majoritariamente, de pequenos valores, especialmente R$ 30 e R$ 50, o que sugere um número expressivo de vítimas em diferentes regiões do país. A soma das transações não corresponde necessariamente ao número de pessoas afetadas.

A estrutura criminosa organizada contava com divisão de tarefas, incluindo desenvolvimento tecnológico das fraudes, administração de redes sociais, formalização de empresas e movimentação e dispersão dos recursos financeiros. A análise de contas eletrônicas revelou mais de 230 GB de arquivos, como vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação e materiais destinados à produção de novas campanhas fraudulentas.

Investigação e próximos passos

A operação resultou na apreensão de veículos de luxo e na identificação de ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil, o equivalente a R$ 2,14 milhões. No Distrito Federal, foram identificados 66 registros de ocorrência envolvendo empresas apontadas como destinatárias de valores relacionados a fraudes eletrônicas, incluindo golpes de falsas compras, boletos fraudulentos e investimentos fictícios.

Os investigados poderão responder por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que venham a ser identificados no decorrer da apuração. A polícia segue com as investigações para identificar todos os envolvidos e recuperar os valores desviados.

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