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Polícia de SP usa 3D para reconstruir rostos de pessoas mortas

29 de outubro de 2026
Polícia de SP usa 3D para reconstruir rostos de pessoas mortas

Destaques

  • •Desenvolvido método de reconstrução facial forense com modelos 3D a partir de crânios.
  • •Técnica já auxiliou na identificação de uma mulher desaparecida em São José do Rio Preto.
  • •A metodologia será aprimorada e expandida para outras unidades da Polícia Técnico-Científica de São Paulo.

Um novo método de reconstrução facial forense, utilizando modelos 3D a partir da estrutura óssea de crânios, foi desenvolvido pelo desenhista técnico-pericial Bruno Robles Paschoal, da Polícia Técnico-Científica de São Paulo. A técnica visa auxiliar na identificação de pessoas mortas cujos corpos estão em avançado estado de decomposição ou quando outros métodos, como impressões digitais, não estão disponíveis.

O processo se inicia no Instituto Médico-Legal (IML), onde o crânio é preparado e limpo. Em seguida, a fotogrametria é aplicada para capturar medidas e dimensões do objeto por meio de fotografias de múltiplos ângulos, permitindo a criação de um modelo tridimensional detalhado. Com o modelo 3D em mãos, Paschoal utiliza o software de animação Blender para recompor digitalmente o rosto, baseando-se em estudos de medidas anatômicas e referências de espessura de tecidos faciais.

Técnica já comprovou sua utilidade em investigações

A metodologia foi aplicada em um caso em São José do Rio Preto, onde partes do corpo de uma mulher foram encontradas em locais distintos. O crânio estava em decomposição avançada, impossibilitando o reconhecimento visual, e não havia mãos para coleta de impressões digitais. A reconstrução facial digital, baseada no crânio, gerou uma imagem que foi comparada com a foto de uma mulher desaparecida, apresentada anteriormente por familiares.

A semelhança percebida auxiliou a direcionar a investigação, e exames posteriores confirmaram a identidade da vítima. A técnica, no entanto, possui limitações, pois não reproduz características superficiais como cicatrizes, rugas ou procedimentos estéticos. Por isso, é considerada um recurso auxiliar de identificação, útil em situações com poucos elementos para estabelecer uma identidade.

Aprimoramento e expansão da técnica

A expectativa da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) é que a reconstrução facial por modelagem tridimensional seja utilizada em mais casos e, após validações, seja ampliada para outras unidades da Polícia Técnico-Científica. Um dos focos de aprimoramento é a criação de parâmetros específicos para a população brasileira, tornando as aproximações mais adequadas à diversidade do país.

Embora a reconstrução facial a partir do crânio seja estudada há décadas e utilizada em antropologia forense, a abordagem da Polícia Técnico-Científica de São Paulo se diferencia pela implementação de uma metodologia que combina fotogrametria, referências anatômicas e modelagem 3D na rotina institucional. O Blender, software de código aberto amplamente utilizado em animação 3D, é uma das ferramentas empregadas.

“Temos servidores absolutamente dedicados à ciência forense e também aos aspectos sociais que chegam ao nosso dia a dia. A identificação humana permite que familiares que sentem saudade e não têm respostas sobre um ente querido possam ter clareza do que aconteceu”, disse Claudinei Salomão, superintendente da Polícia Técnico-Científica.

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