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Plantio diversificado protege lavouras gaúchas de secas e enchentes, aponta estudo

08 de novembro de 2026
Plantio diversificado protege lavouras gaúchas de secas e enchentes, aponta estudo

Destaques

  • •Técnica de 'plantas de cobertura' e diversificação de culturas aumentou a produtividade em até 76% em comparação com o modelo tradicional no Rio Grande do Sul.
  • •Pesquisa da USP demonstrou que o manejo do solo com vegetação constante melhora a retenção de água e a ciclagem de nutrientes, tornando as lavouras mais resilientes a eventos climáticos extremos.
  • •Resultados do estudo, conduzido entre 2022 e 2025, foram publicados na revista Agriculture, Ecosystems & Environment e apresentados em eventos científicos.

Pesquisadores do CCARBON da USP (Universidade de São Paulo) testaram no Rio Grande do Sul técnicas de manejo do solo que aumentam a resiliência das lavouras a eventos climáticos extremos, como secas e enchentes. O estudo comparou o modelo tradicional de plantio com áreas que utilizaram “plantas de cobertura” – vegetais cultivados para proteger e nutrir a terra entre as safras – e diversificação de culturas. Os resultados indicam que a adoção dessas práticas pode levar a colheitas acima da média do estado, com ganhos de até 76% em relação ao modelo convencional.

O período de pesquisa, entre 2022 e 2025, foi marcado por secas severas e enchentes históricas no Rio Grande do Sul. As plantações que seguiram o modelo tradicional, com cultivo contínuo de uma única espécie de grão ou uso de uma única planta para cobrir o solo, sofreram quedas significativas na colheita e apresentaram fortes oscilações anuais, com variações de 33% a 39% para cima ou para baixo. Em contraste, as áreas com diversificação e plantas de cobertura mantiveram a produtividade mais estável e acima da média geral do estado.

O que são plantas de cobertura e diversificação?

As “plantas de cobertura” são vegetais cultivados não para serem comercializados, mas para beneficiar o solo. Elas ajudam a proteger a terra contra erosão, melhoram a sua estrutura, aumentam a matéria orgânica e a retenção de água, além de auxiliar na ciclagem de nutrientes. A diversificação de culturas envolve o plantio de diferentes espécies vegetais em rotação ou consórcio, o que contribui para a saúde do solo e a redução da incidência de pragas e doenças.

O professor da Esalq-USP, Maurício Roberto Cherubin, explicou que a introdução de uma mistura diversificada de plantas de cobertura funciona como um “cardápio variado e contínuo para a terra”, mantendo os organismos do solo ativos o ano inteiro. Isso otimiza a ciclagem de nutrientes, a fixação biológica de nitrogênio e a disponibilização de fósforo para a cultura principal.

Como a pesquisa foi realizada e os resultados para o solo

A pesquisa analisou dados de 13 experimentos em propriedades comerciais no Rio Grande do Sul, combinando espécies comerciais como soja, milho e trigo com gramíneas, leguminosas e outras plantas de cobertura. Utilizando dados climáticos de satélites da Nasa, os pesquisadores compararam o volume de chuvas com a média histórica e avaliaram 12 características do solo (química, física e biológica) em 78 amostras coletadas.

As análises mostraram que a diversificação das plantações aumentou significativamente a capacidade do solo de armazenar água, independentemente da quantidade de argila. Raízes profundas de plantas de cobertura ajudam a romper camadas compactadas, criando canais biológicos que facilitam o acesso das raízes da cultura principal à umidade em camadas mais profundas durante períodos de seca.

Vulnerabilidade e o futuro da agricultura

Apesar dos benefícios, o estudo também apontou que mesmo as práticas sustentáveis sofrem com desastres de grande magnitude. Durante as enchentes de 2024, quase metade dos agricultores que adotavam a diversificação precisou mudar seus planos, optando por semear trigo comercial para tentar recuperar perdas financeiras. Cherubin ressalta que essas descobertas são cruciais para o futuro da agricultura de sequeiro, especialmente em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Um solo saudável e com grande variedade de raízes atua como um “amortecedor” natural, reduzindo a instabilidade na produção agrícola e evitando ciclos de colheitas fartas seguidas por perdas severas. A pesquisa foi publicada em 22 de outubro na revista Agriculture, Ecosystems & Environment.

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