PL terá bancada recorde no Senado a partir de 2027, desafiando governo Lula

Destaques
- •O PL elegeu 19 senadores, a maior bancada partidária desde 1988, o que representa mais de um terço da Casa.
- •Senadores eleitos e reeleitos da base de Lula preveem dificuldades de articulação e o avanço de pautas conservadoras, mas apostam no diálogo e mobilização social.
- •A composição do Senado a partir de 2027 exigirá articulação política para aprovar projetos do governo e defender direitos sociais.
O Partido Liberal (PL) conquistou a maior bancada partidária no Senado Federal desde a promulgação da Constituição de 1988, elegendo 19 senadores nas eleições de 2026. Com isso, o partido, ligado a Jair Bolsonaro, deverá reunir 28 dos 81 integrantes da Casa a partir de 2027, ocupando mais de um terço do parlamento. Esse cenário representa um desafio significativo de articulação para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e para os parlamentares da base aliada.
A nova composição do Senado, que poderá sofrer alterações até fevereiro de 2027, também marca a primeira vez que um único partido elegeu tantos senadores em uma mesma eleição. Em contraste, a soma dos senadores eleitos pelo PT, PSB, Rede e PDT será de 15 parlamentares. Os demais 37 assentos estarão distribuídos entre outros partidos como MDB, PP, União Brasil, PSD, Republicanos, Novo, Podemos e PSDB, além de um senador sem partido.
Desafios e estratégias da base aliada
Senadores eleitos e reeleitos da base governista expressaram preocupação com a nova correlação de forças. O senador reeleito Humberto Costa (PT-PE) avalia que o diálogo com a oposição se tornará ainda mais difícil, prevendo um perfil mais "radical e agressivo" entre os novos integrantes. Ele acredita que a direita tentará avançar em "pautas de costumes", como restrições ao aborto, que atualmente é permitido em três casos específicos no Brasil: gestação decorrente de estupro, risco de vida para a gestante e fetos anencéfalos.
Apesar dos desafios, Costa afirma que o governo Lula terá maioria para aprovar projetos já "acertados", citando como exemplo o fim da escala de trabalho 6x1. Ele defende a construção de alianças com setores do Centrão e a possibilidade de apoio à recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado, desde que não haja concessões em temas inegociáveis, como a anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
As senadoras eleitas Samanda de Lula (PT-RN) e Marília Arraes (PDT-PE) defendem a construção de alianças em pautas específicas, o diálogo com adversários políticos e a mobilização da sociedade para impedir retrocessos em direitos sociais. "Para evitar retrocessos, será preciso combinar atuação parlamentar, articulação política e mobilização da sociedade", disse Samanda.
Visões sobre a nova composição
O senador reeleito Cid Gomes (PSB-CE) minimizou o avanço da direita, afirmando não ver motivo para "pânico". Segundo ele, embora a bancada de direita seja suficiente para pedir a abertura de uma CPI, ela não forma maioria. Gomes prevê um Senado dividido em três grupos: um terço alinhado à direita, uma parcela menor de progressistas e outra que apoiará o governo. Ele também acredita que haverá mais "pautas de costumes" na agenda.
Marília Campos (PT-MG), com experiência de prefeita, pretende focar em alianças para atender demandas municipais, independentemente da orientação partidária. Ela ressalta a importância da atuação nas comissões e negociações de gabinete, além do uso da tribuna para defender direitos e apresentar projetos.
As parlamentares eleitas pretendem combinar atuação em comissões, apresentação de projetos e uso da tribuna para dar visibilidade a pautas prioritárias e denunciar retrocessos. A defesa dos direitos das mulheres, a autonomia feminina e a independência econômica são citadas como centrais nos debates. A senadora Marília Arraes ressalta que "ser mulher, por si só, não garante compromisso com os direitos das mulheres", sendo necessário analisar o posicionamento de cada parlamentar.



