China expande rede de swaps de moedas e desafia hegemonia do dólar

Destaques
- •China amplia acordos bilaterais de swap de moedas com mais de 40 países desde 2009.
- •Linhas de swap chinesas ultrapassam US$ 24 bilhões em países como Malásia, Turquia e Paquistão.
- •Aumento de swaps bilaterais remodela a rede global de segurança financeira e pode encorajar descasamentos cambiais.
A crescente rede de acordos bilaterais de swap de moedas entre bancos centrais ao redor do mundo está remodelando a segurança financeira global, com a China se destacando na expansão dessas operações. Desde 2009, o Banco Popular da China (PBoC) firmou acordos com mais de 40 contrapartes, posicionando-se como um credor global e oferecendo suporte a países em crise de balanço de pagamentos e dívida soberana. Em 2023, treze dos dezessete países que utilizaram suas linhas de swap com a China o fizeram para fortalecer suas reservas cambiais, com o montante em aberto atingindo um pico.
As linhas de swap chinesas, que visam apoiar o comércio e o investimento, e promover o uso internacional do Renminbi (RMB), têm sido cruciais para obter a moeda chinesa após limites de liquidação serem atingidos. O think tank Council on Foreign Relations (CFR) registrou mais de US$ 24 bilhões em linhas de swap chinesas em aberto em países como Malásia, Turquia, Paquistão, Egito, Mongólia, Sri Lanka, Nigéria e Laos. A Argentina, por exemplo, utilizou a linha de swap em 2023 para evitar o default com o FMI, pagando diretamente em RMB.
O que são swaps de moedas e como funcionam?
Swaps de moedas são acordos entre bancos centrais que permitem a troca de moedas. Um banco central vende uma quantia de sua moeda para outro em troca de uma moeda estrangeira, à taxa de câmbio vigente. O banco receptor pode então emprestar essa moeda estrangeira para seus bancos domésticos ou corporações, aliviando a escassez de moeda estrangeira. Em uma data futura, a moeda original é recomprada, com juros. Esses acordos são um gesto de confiança política, pois o banco central receptor assume o risco.
O processo envolve uma troca inicial, o uso da moeda estrangeira para empréstimos e o reembolso posterior. As linhas podem ser unidirecionais, com um banco central fornecendo liquidez, ou recíprocas. Embora os maiores bancos centrais, como o Federal Reserve dos EUA e o Banco Central Europeu (BCE), tenham historicamente desempenhado um papel crucial em fornecer liquidez em dólares e euros durante crises como a de 2008 e a pandemia de Covid-19, a China tem expandido sua rede de forma mais ampla para economias em desenvolvimento.
O papel histórico do Federal Reserve e do BCE
O Federal Reserve estendeu linhas de swap a diversos bancos centrais, incluindo o BCE, Canadá, Reino Unido e Japão, durante a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19, para lidar com pressões nos mercados de financiamento de curto prazo e garantir liquidez em dólar. Em 2020, o Fed reduziu a taxa de juros sobre suas linhas de swap para perto de zero e aprovou linhas emergenciais para países como Brasil, México, Coreia do Sul e Singapura. O BCE também reativou linhas de swap e estabeleceu acordos de recompra com países europeus durante a pandemia.
O histórico do Fed mostra empréstimos máximos de US$ 586 bilhões em dezembro de 2008 e um pico de cerca de US$ 225 bilhões em saques pendentes pelo Japão em 2020. O BCE, por sua vez, estabeleceu linhas com Suécia, Suíça, Dinamarca e Reino Unido desde 2007, e durante a pandemia, reativou uma linha com a Dinamarca e concedeu temporárias para Croácia e Bulgária. No entanto, os mercados globais de euros permaneceram relativamente calmos durante a pandemia, e algumas novas linhas de swap do BCE não foram ativadas.
O futuro dos swaps e a influência chinesa
A expansão da rede de swaps pela China, juntamente com movimentos de outros países como os Emirados Árabes Unidos, que estenderam linhas para Turquia, Egito e Etiópia, sugere uma mudança na arquitetura financeira global. O CFR alerta que a aparente permanência dessas linhas de swap pode encorajar o crescimento de "enormes descasamentos cambiais", pois os bancos podem passar a esperar que seus bancos centrais forneçam moeda estrangeira em caso de escassez no mercado privado. Em 2024, a China firmou novos acordos com a Arábia Saudita e as Ilhas Maurício, visando facilitar o uso do RMB no comércio bilateral.
Matérias originais
- Swaps de moedas crescem em ambiente de crise, mas podem gerar dependência · infomoney.com.br



