Balança comercial brasileira caminha para 2º maior superávit da história em 2026

Destaques
- •Projeção do superávit comercial brasileiro para 2026 é de US$ 84,4 bilhões, segundo o MDIC.
- •Alta do petróleo e abertura de novos mercados impulsionam exportações, apesar de tarifas dos EUA.
- •Mercado financeiro projeta um superávit ligeiramente menor, em torno de US$ 80 bilhões.
A balança comercial brasileira projeta um superávit de US$ 84,4 bilhões em 2026, o que a colocaria como o segundo maior resultado da história, atrás apenas do superávit de US$ 98,9 bilhões registrado em 2023. As exportações estão estimadas em US$ 382,5 bilhões e as importações em US$ 298,1 bilhões. O resultado esperado para 2026 representa um aumento de 24,0% em relação ao superávit de US$ 68,1 bilhões de 2025.
Petróleo impulsiona resultados positivos
As oscilações no preço do barril de petróleo, especialmente impulsionadas por choques externos como a guerra no Oriente Médio, têm sido um fator crucial para os bons números das exportações brasileiras. A receita com petróleo exportado cresceu 77,3% em setembro, consolidando o produto como o principal item de exportação no acumulado do ano, com US$ 43 bilhões. O fechamento do Estreito de Ormuz levou a China a comprar metade do petróleo vendido pelo Brasil, com exportações para o país asiático crescendo 49% entre janeiro e setembro de 2026.
A economista Carla Beni, da FGV, avaliou que o conflito no Oriente Médio gerou um efeito positivo para a balança brasileira, dado que o país é exportador de energia. Ela destacou a boa reação da Petrobras e a política de preços da empresa, que evitou a alteração de preços internamente, diferentemente de outros países.
O economista Gabriel Cintra, da Eleva Invest, concorda que a externalidade positiva do petróleo é relevante, mas pondera que o governo contou mais com a sorte do que com o juízo. Ele considera a projeção de US$ 84,4 bilhões do MDIC otimista e mais factível a mediana do mercado, que aponta para cerca de US$ 80,15 bilhões.
Abertura de novos mercados e tarifas dos EUA
O governo Lula tem destacado que a alta nas exportações ocorre a despeito das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. As vendas para os EUA caíram 6,5% no acumulado de janeiro a setembro de 2026, totalizando US$ 27,46 bilhões. O Brasil mantém um déficit comercial com os EUA, de US$ 4,33 bilhões no período.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ressaltou a busca pela diversificação de mercado, com foco em países como China, Índia, Vietnã e Japão. Desde 2023, foram abertos 700 novos mercados, um número significativamente maior que os 241 do governo anterior.
Carla Beni, da FGV, reconheceu a importância da abertura de mercados e do restabelecimento de relações internacionais pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente diante das tarifas impostas pelos EUA. Ela também citou o plano Brasil Soberano como uma medida interessante para proteger a indústria nacional.
Projeções e próximos passos
A projeção atual do MDIC para o superávit em 2026 é de US$ 84,4 bilhões, mas o Ministério já revisou essa estimativa duas vezes. Inicialmente, em abril, a projeção era de US$ 72,1 bilhões, subindo para US$ 90 bilhões em julho, e caindo para os atuais US$ 84,4 bilhões no início de outubro. O mercado, por sua vez, projeta um saldo de US$ 79,7 bilhões para 2027.
Para atingir os US$ 84,4 bilhões projetados, faltam aproximadamente US$ 16,05 bilhões entre o restante de outubro e dezembro. Gabriel Cintra considera esse objetivo plausível, mas dependente da continuidade dos embarques, dos preços das commodities e do controle das importações.



