Petrobras é acusada de criar 'Estreito de Ormuz' no gás natural brasileiro

Destaques
- •Petrobras é comparada ao Estreito de Ormuz por controlar a oferta de gás natural no Brasil.
- •O custo do gás pode chegar a 320% de margem, impactando R$ 15 bilhões anuais.
- •Aguardam-se investigações do Cade e a implementação de políticas de desconcentração do mercado.
O Brasil pode ter seu próprio "Estreito de Ormuz", mas no setor de gás natural. A analogia compara a concentração de poder da Petrobras na cadeia de suprimentos a pontos estratégicos que controlam o fluxo global, como o estreito entre Irã e Omã. O gargalo energético brasileiro eleva custos de forma exorbitante.
Um diagnóstico do Ministério de Minas e Energia (MME) aponta que o custo do gás na boca do poço, de US$ 2,86/MMBTU, salta para US$ 12,08/MMBTU na entrada dos gasodutos. Isso representa uma margem de 320%, drenando R$ 15 bilhões anuais do setor produtivo. A Petrobras controla cerca de 65% da produção e 90% do processamento.
A falta de transparência e o acesso restrito a infraestruturas essenciais criam um cenário de abuso de posição dominante.
Espera-se que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investigue a situação. Paralelamente, propostas do MME e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) visam desconcentrar o mercado e aumentar a concorrência, o que é apoiado pela indústria. A transição energética justa depende de energia competitiva para a produção nacional.


