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Peste Negra reduziu biodiversidade europeia em 40%, aponta estudo

26 de outubro de 2026
Peste Negra reduziu biodiversidade europeia em 40%, aponta estudo

Destaques

  • •Epidemia de peste bubônica no século 14 levou ao abandono de terras cultivadas na Europa.
  • •Estudo em 100 locais europeus revelou queda de 40% na diversidade de plantas após a Peste Negra.
  • •Biodiversidade se recuperou e superou níveis pré-epidemia a partir do século 16.

A Peste Negra, que dizimou entre um terço e metade da população europeia no século 14, causou um impacto significativo e pouco lembrado na biodiversidade local: a queda de cerca de 40% nas espécies de plantas devido ao abandono do campo. A conclusão é de um estudo publicado na revista Ecology Letters, que analisou mais de 100 locais de coleta de pólen em diversas regiões da Europa, incluindo França e Reino Unido.

Ao contrário do que se poderia pensar, as atividades humanas na Europa medieval, com suas paisagens em mosaico combinando lavouras, bosques e charnecas, favoreciam a biodiversidade. A agricultura moderna, com sua monocultura, contrasta com esse modelo. A epidemia de peste bubônica, causada pela bactéria Yersinia pestis, provocou um caos social e a perda de milhões de vidas, levando ao abandono de grandes extensões de terras cultivadas.

O que os registros polínicos revelaram

Os pesquisadores analisaram cerca de 4.600 amostras de pólen, utilizando a presença de pólen de cereais como trigo, cevada e centeio como indicador de atividade agrícola. Os dados foram divididos em três categorias: aumento da produção agrícola, diminuição e ausência de cultivo de cereais. A análise mostrou que as áreas com queda na produção agrícola foram as principais responsáveis pelo declínio geral da biodiversidade.

O estudo reforça a hipótese de que paisagens modificadas por humanos, quando criam habitats diversificados (mosaicos), conservam um número maior de espécies em comparação com paisagens homogêneas. Essa diferença entre o uso da terra medieval e o moderno tem consequências diretas para a biodiversidade, que sofreu redução global de até 11% no século 20 devido a fatores como mudanças no uso da terra e poluição.

Recuperação após a epidemia

Após o período mais crítico da Peste Negra, a biodiversidade começou a se recuperar. Cerca de 150 anos depois, já no século 16, os níveis de diversidade de plantas voltaram a crescer, superando até mesmo os patamares anteriores à epidemia. Essa retomada acompanhou o crescimento demográfico e o retorno das atividades humanas no campo.

O período do século 14, marcado não apenas pela Peste Negra, mas também pela Grande Fome (1315-1317) devido ao clima frio e úmido, é considerado uma oportunidade para investigar os efeitos da ação humana sobre a biodiversidade. O estudo oferece um contraponto histórico às discussões atuais sobre a perda de biodiversidade global e o papel da agricultura moderna nesse processo.

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