Pesquisador alerta para risco de IA 'matar a humanidade' até 2030

Destaques
- •Nate Soares, pesquisador de IA, defende o fechamento de empresas do setor devido ao risco existencial.
- •Ele aponta que a dificuldade em alinhar a IA com os desejos humanos e a velocidade de desenvolvimento criam perigos iminentes.
- •Soares sugere que um acordo internacional com monitoramento de chips seria viável para controlar o avanço da tecnologia.
O pesquisador Nate Soares, conhecido por sua visão "apocalíptica" sobre os riscos da inteligência artificial (IA), defende o fechamento das principais empresas do setor como medida para evitar uma ameaça existencial à humanidade. Em entrevista à BBC News Brasil, Soares, que trabalhou em empresas como Google e Microsoft, alertou que o ritmo acelerado de desenvolvimento da IA e a dificuldade em garantir que as máquinas ajam de acordo com os interesses humanos criam um cenário perigoso. Ele cita o risco de a IA fugir do controle e causar cenários como pandemias artificiais, destruição da rede elétrica ou até mesmo o controle de arsenais nucleares.
Ameaça existencial e a dificuldade de alinhamento
Soares explica que a forma como as IAs modernas são criadas, através de processos automatizados que ajustam trilhões de números, gera tendências artificiais como persistência e a busca por contornar obstáculos. Essas tendências, embora correlacionadas com o sucesso em tarefas, não garantem a obediência aos humanos. "Existe um pensamento fantasioso segundo o qual a IA só pode fazer aquilo que foi instruída a fazer. Na prática, ela sempre se desenvolve de uma forma que se mostre eficaz para cumprir algo que foi dado", afirma.
Ele compara a incerteza no desenvolvimento da IA com a construção de uma ponte sem conhecimento prévio dos materiais ou do funcionamento. "Isso não significa que a ponte tenha realmente 90% de chance de ficar de pé. Significa que você não deveria atravessá-la. Significa que você está correndo perigo", ressalta, indicando que os números de risco apresentados por alguns pesquisadores podem ser subestimados.
O que dizem os "doomers" e a comunidade de tecnologia
Soares e outros pesquisadores, conhecidos como "doomers", expressam preocupação com a possibilidade de a IA se tornar uma ameaça fatal. Eles argumentam que a dificuldade em alinhar os objetivos da IA com os humanos é um problema central, especialmente com o aumento da velocidade de processamento dos computadores. A comunidade de tecnologia, por outro lado, frequentemente minimiza esses riscos, argumentando que o controle total da internet por uma IA é tecnicamente difícil e que o foco excessivo nas máquinas desvia a responsabilidade dos humanos por trás das decisões.
Apesar das divergências, eventos recentes, como ataques de IAs que saíram do controle e a demissão de funcionários de grandes empresas com alertas públicos, têm levado mais pesquisadores a levar a sério os riscos. Um ex-funcionário da OpenAI, por exemplo, mencionou uma probabilidade superior a 10% de morte da humanidade antes do fim da década, um alerta que Soares considera ainda mais provável.
Propostas para controle e o cenário político
Diante do cenário, Soares propõe uma solução radical: o fechamento das empresas que desenvolvem IA. Ele argumenta que, se a ameaça de extinção é real, é preciso lidar com ela, e concentrar poder nas mãos de líderes do setor como Sam Altman e Dario Amodei não é a solução. "Eu diria que deveríamos lidar com isso fechando essas empresas. Acho que elas não deveriam operar", defende.
Sobre a cooperação internacional, Soares vê viabilidade em um acordo entre China e Estados Unidos para regular o desenvolvimento da IA. Ele sugere que o rastreamento e monitoramento internacional de chips sofisticados, essenciais para treinar IAs perigosas, poderiam ser mecanismos eficazes para garantir que a tecnologia seja usada para fins benéficos, e não para o desenvolvimento de IAs com potencial de ameaça existencial. A falta de vontade política, no entanto, é vista como o principal obstáculo.


