Pesquisa: 83% dos brasileiros temem fraude digital e abandonam sites inseguros

Destaques
- •Nova pesquisa da Liferay aponta que a maioria dos consumidores brasileiros desconfia de sites com sinais de insegurança.
- •Apenas 4% dos usuários não percebem anomalias em sites que se comportam de forma estranha, enquanto 83,2% temem fraudes digitais.
- •Especialistas recomendam estabilidade visual, autenticidade e comunicação clara para reverter o abandono de clientes.
Três em cada quatro consumidores desistem de um site ao menor sinal de insegurança, segundo o 2026 Liferay Broken Trust Report, pesquisa conduzida pela Liferay em parceria com a Pollfish com mil adultos nos Estados Unidos. No Brasil, o cenário é ainda mais crítico: 83,2% dos consumidores temem ser vítimas de fraude digital e quase metade abandona um site ao encontrar um aviso de segurança do navegador.
A confiança do consumidor é decidida em segundos. Diante de um site familiar que apresenta comportamento estranho, 40% dos usuários questionam imediatamente a segurança, 29% redobram a atenção e 28% saem sem tentar continuar. Apenas 4% passam pela experiência sem notar nada de anormal. Os principais gatilhos para a perda de confiança são avisos do navegador (39%), URLs ligeiramente diferentes (19%) e pop-ups inesperados (18%).
O impacto da desconfiança no consumidor
Um único momento de instabilidade pode alterar a percepção sobre uma empresa. Para 61% dos entrevistados, uma experiência negativa em um site muda a visão sobre a companhia como um todo. Além disso, 71% consideram a confiabilidade do site um fator decisivo para confiar na empresa além da tela.
“Os clientes são cautelosos por um bom motivo. Eles encontram golpes em toda parte, então pequenas incompatibilidades são lidas como um risco. A confiança é decidida em segundos pelo que a página faz e pelos sinais que ela mostra”, afirma Flávio Moitinho, gerente geral da Liferay.
Quando um aviso de segurança aparece em um site conhecido, o efeito é imediato: 47% saem sem dar chance à marca, 29% buscam no Google se outros relataram o mesmo problema, 12% procuram o suporte da empresa e apenas 4% continuam navegando.
Rejeição por faixa etária e setores sensíveis
A rejeição a sites inseguros cresce com a idade. Na Geração Z, 38% abandonam o site; nos millennials, 37%. O índice sobe para 46% entre a Geração X, 58% entre os baby boomers e 70% entre os nascidos antes de 1942. Em setores como saúde, seguros e serviços financeiros, onde o acesso a informações sensíveis como exames, apólices e faturas é comum, o risco de perda de clientes é ainda maior.
Nem mesmo as grandes marcas estão imunes. Para 91% dos entrevistados, empresas conhecidas podem parecer falsas ou comprometidas. Ao encontrar uma loja familiar com problemas visuais ou de navegação, 29% saem imediatamente, 28% concluem que o site não é seguro e 22% suspeitam de uma versão falsa do endereço.
Consequências financeiras e o contexto brasileiro
As consequências chegam ao faturamento: 69% dos consumidores já interromperam uma compra por receio de golpe. Entre jovens de 18 a 24 anos, esse índice sobe para 78%. Após quase cair em um golpe, 47% relatam irritação, 45% raiva e 42% frustração. Outros 11% afirmam que nenhuma ação da marca reconstruiria sua confiança.
No Brasil, o estelionato é o principal crime patrimonial, com 2,26 milhões de ocorrências em 2025. A Serasa Experian identificou 10.053 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos em circulação no primeiro trimestre de 2026. Fatores como a irreversibilidade do Pix e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ampliam a cautela dos consumidores brasileiros.
“Para times brasileiros, estabilidade de página e continuidade de domínio não são higiene técnica, são parte da proposta de valor. Um portal de autoatendimento que apresenta um aviso de certificado em uma tela de pagamento perde o usuário antes que qualquer time de suporte saiba que houve um problema”, explica Moitinho.
Recomendações para reduzir o abandono
O relatório da Liferay sugere cinco ações práticas para equipes digitais:
- Estabilizar o visual do site e garantir zero avisos em páginas críticas, com certificados válidos e protocolo HSTS (HTTP Strict Transport Security).
- Provar autenticidade a cada visita, com continuidade de domínio no login e no pagamento e redução de redirecionamentos.
- Reduzir a percepção de risco no checkout, sem pop-ups surpresa e com sinais breves de segurança ao lado dos botões de ação.
- Comunicar com clareza quando algo der errado, explicando o que ocorreu e confirmando que o comportamento normal foi restaurado.
- Adaptar a experiência por faixa etária, eliminando telas de aviso para públicos mais velhos e removendo padrões associados a golpes para os mais jovens.
Matérias originais
- Fraude digital afasta 75% dos consumidores de sites no Brasil · itforum.com.br


