Pesquisa: 29% das brasileiras desconhecem métodos de detecção precoce de câncer de mama

Destaques
- •Levantamento aponta que quase 3 em cada 10 mulheres no Brasil não conhecem as formas de identificar o câncer de mama em estágio inicial.
- •A pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center revela que o desconhecimento é maior entre mulheres de menor renda e usuárias do SUS.
- •Especialistas reforçam a necessidade de ampliar o acesso à informação e desmistificar a mamografia e o autoconhecimento das mamas.
Uma pesquisa divulgada pelo A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, revelou que 29% das brasileiras não conhecem os métodos de detecção precoce do câncer de mama. O levantamento, que ouviu 1.038 mulheres em junho de 2026, indica um aumento de quatro pontos percentuais em relação a 2024, quando o índice era de 25%. A parcela de mulheres que afirmam conhecer os métodos de detecção permaneceu estável em 58%.
A falta de conhecimento impacta diretamente a realização de exames. Entre as mulheres que desconhecem os métodos, 55% nunca fizeram mamografia, enquanto apenas 35% já realizaram o exame. Em contrapartida, entre as que conhecem os métodos, 65% já fizeram o exame e apenas 12% nunca o realizaram.
Desigualdades no acesso à informação e exames
A pesquisa também aponta disparidades significativas no conhecimento e na realização de mamografias, que variam conforme a renda e o tipo de serviço de saúde utilizado. Entre as mulheres com renda familiar de até um salário mínimo, apenas 49% conhecem os métodos de detecção precoce, e 48% já fizeram mamografia. Já entre as que ganham mais de cinco salários mínimos, esses índices sobem para 79% e 69%, respectivamente.
No Sistema Único de Saúde (SUS), 56% das usuárias conhecem os métodos, enquanto na rede privada esse percentual é de 69%. A líder do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo, Fabiana Makdissi, destaca que as pacientes que mais necessitam do diagnóstico precoce são, muitas vezes, as que menos sabem e têm menos acesso, o que pode levar a piores desfechos de saúde.
Prevenção, detecção precoce e autoconhecimento
A especialista Fabiana Makdissi ressalta a importância de diferenciar prevenção e detecção precoce. A prevenção busca reduzir o risco da doença por meio de hábitos saudáveis, como manter o peso adequado, praticar atividade física e evitar álcool e tabaco, o que, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), poderia evitar cerca de 17% dos casos de câncer de mama. Já a detecção precoce foca em identificar a doença em estágio inicial, antes mesmo do aparecimento de sintomas.
A mamografia é a principal ferramenta para o rastreamento. O Ministério da Saúde recomenda o exame a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos sem sintomas. Entre 40 e 49 anos e acima de 74, o exame é permitido por demanda, com orientação profissional. Sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), recomendam mamografia anual dos 40 aos 74 anos para mulheres de risco habitual.
Além da mamografia, o Inca orienta o autoconhecimento das mamas, incentivando as mulheres a conhecerem seus corpos e observarem quaisquer mudanças, como nódulos, retração da pele ou secreção mamilar. Esse conhecimento, que inclui saber sobre o histórico familiar de câncer, pode indicar a necessidade de acompanhamento diferenciado.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado em 2025 na Revista ft, intitulado "A IMPORTÂNCIA DA MAMOGRAFIA NO DIAGNÓSTICO PRECOCE DO CÂNCER DE MAMA", analisou a eficácia da mamografia na detecção precoce e na redução da mortalidade por câncer de mama. A pesquisa, baseada em publicações científicas e dados oficiais, como os do INCA e da OMS, concluiu que a mamografia é o método mais eficaz para rastreamento e detecção precoce, podendo reduzir mortes em até 30% quando realizada regularmente.
O estudo também destacou que a atualização das diretrizes do Ministério da Saúde em 2025, que ampliou o acesso ao exame a partir dos 40 anos, representa um avanço. No entanto, ressaltou a persistência de desafios como a desigualdade no acesso, a falta de profissionais capacitados e barreiras socioculturais. Para combater esses obstáculos, o estudo aponta para a necessidade de fortalecer políticas públicas, educação em saúde e expandir a cobertura da mamografia.
A dificuldade em priorizar o autocuidado é agravada pela sobrecarga de responsabilidades familiares que ainda recai sobre as mulheres, como aponta Fabiana Makdissi. Ela relata ouvir de pacientes que "não têm tempo para ficar doente". A especialista enfatiza que o diagnóstico precoce pode permitir um tratamento mais rápido, reduzir o tempo de afastamento da rotina familiar e, consequentemente, permitir que a mulher cuide melhor de si e de sua família.
Pesquisa citada
- A IMPORTÂNCIA DA MAMOGRAFIA NO DIAGNÓSTICO PRECOCE DO CÂNCER DE MAMA
Revista ft · 2025
Matérias originais
- Quase 3 em cada 10 brasileiras dizem não conhecer os métodos de detecção precoce do câncer de mama · drauziovarella.uol.com.br


