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Pentágono investiga falhas em freezers militares como possível ciberataque

29 de outubro de 2026
Pentágono investiga falhas em freezers militares como possível ciberataque

Destaques

  • •Falhas em freezers de bases militares dos EUA em agosto são investigadas como possível ciberataque.
  • •Investigadores americanos cooperam com colegas franceses após incidente semelhante em supermercados na França.
  • •O Pentágono busca entender a vulnerabilidade de sistemas de refrigeração a ataques cibernéticos.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos está investigando uma série de falhas massivas em unidades de refrigeração de bases militares como um possível ciberataque de sabotagem. A Reuters informou que as investigações, mantidas em sigilo, foram acionadas após a detecção de atividades suspeitas em agosto deste ano. O incidente afetou equipamentos que armazenam alimentos congelados para militares.

Ao menos seis unidades de refrigeração em bases militares americanas apresentaram mau funcionamento. Em um dos casos, na base de Fort Huachuca, no Arizona, um freezer elevou excessivamente a temperatura durante a madrugada, resultando no descarte de todos os alimentos armazenados. O Cyber Field Office, departamento de cibercrimes do Exército dos EUA, foi acionado para apurar o ocorrido, mas ainda não há conclusões sobre uma possível invasão ou suspeitos.

Incidente semelhante na França levanta suspeitas

As suspeitas de invasão proposital ganharam força após um incidente ocorrido na França há algumas semanas. Na mesma madrugada, cerca de 400 supermercados na região foram vítimas de um hack que afetou seus sistemas de refrigeração inteligentes. A mudança de configuração elevou as temperaturas para até 50 ºC, causando grandes prejuízos e até pequenos incêndios.

No caso europeu, já é certo que a ativação remota do ciclo de descongelamento foi causada pela exploração de uma vulnerabilidade, embora os responsáveis ainda não tenham sido identificados. O ataque não é visto como uma tentativa de invasão a outros sistemas, mas sim como uma tática de sabotagem de cadeias de suprimentos para gerar desabastecimento, uma estratégia conhecida durante conflitos.

Cooperação internacional e vulnerabilidades tecnológicas

O Cyber Field Office dos EUA participou ativamente da operação na França, trabalhando em estreita coordenação com órgãos de aplicação da lei. Autoridades americanas e francesas estariam trocando informações para ampliar o escopo das análises. A Embaixada da França nos EUA não comentou o assunto.

Especialistas ouvidos pela Reuters indicaram que o ataque na França parece ter sido relativamente fácil de executar, possivelmente pela exploração de vulnerabilidades em controladores de refrigeração obsoletos ou com firmware desatualizado, como os da fabricante dinamarquesa Danfoss. A Reuters não conseguiu confirmar se equipamentos da Danfoss ou de outras marcas estavam em uso nas bases americanas afetadas.

A conexão à internet de equipamentos originalmente projetados para manutenção presencial é uma preocupação crescente. Ataques a sistemas de refrigeração podem comprometer a distribuição de alimentos, como demonstrado por outros incidentes em supermercados na Rússia e Israel em 2022, e um caso em uma instalação de processamento de carne em 2024. A Global Food Safety Initiative defende maior cooperação entre profissionais de segurança alimentar e especialistas em TI para proteger esses sistemas.

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