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Paraguai: Colapso do Banco Ueno leva à destituição e prisão do presidente Santiago Peña

07 de novembro de 2026
Paraguai: Colapso do Banco Ueno leva à destituição e prisão do presidente Santiago Peña

Destaques

  • •O Banco Central do Paraguai interveio no Banco Ueno, alegando insolvência, o que desencadeou uma crise política e a destituição do presidente Santiago Peña.
  • •Cerca de 64% dos clientes do Ueno Bank já tiveram seus fundos devolvidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, totalizando US$ 158 milhões.
  • •O novo presidente, Pedro Alliana, assume em meio a investigações contra Peña e Carvallo e busca por estabilidade no sistema financeiro.

O Banco Central do Paraguai (BCP) interveio no Banco Ueno, uma instituição financeira com mais de 3 milhões de clientes, devido a indícios de insolvência. O colapso do banco desencadeou uma crise política que culminou na destituição e prisão do presidente Santiago Peña, que teria ligações com o consórcio Grupo Vázquez, holding do banco. Miguel Vázquez, fundador do banco, entregou-se às autoridades, e seus bens foram alvo de buscas.

O Ueno Bank, com foco digital, atraiu milhões de clientes com promoções e patrocínio esportivo, expandindo sua base de usuários de meio milhão para mais de 3 milhões entre 2023 e 2026. Contudo, o banco enfrentou sérios problemas em seus balanços, com o índice de solvência caindo para menos da metade do mínimo exigido. Sete executivos do grupo, além de Vázquez, foram indiciados por acusações como abuso de confiança e fraude. O Ministério Público solicitou a prisão preventiva de Santiago Peña, acusado de lesão de confiança e administração em benefício próprio, e do ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.

O colapso e as investigações

O colapso do Banco Ueno, que detinha cerca de 8% dos empréstimos e 9% dos depósitos do sistema financeiro paraguaio, levou o Banco Central a intervir para proteger os depositantes. A crise expôs problemas de solvência e levantou suspeitas de fraude e má gestão. As investigações apontam para um possível conflito de interesses envolvendo o ex-presidente Santiago Peña, que teria sido acionista minoritário do Grupo Vázquez até março de 2025, e o ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que presidiu o Ueno Bank até agosto de 2023.

O Ministério Público denunciou Peña e Carvallo por suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos e previdenciários depositados no Ueno Bank, pedindo a prisão preventiva de ambos e a preservação de seus patrimônios. As suspeitas incluem conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de fundos e enriquecimento ilícito.

Ressarcimento e impacto no sistema financeiro

O Banco Central do Paraguai informou que já devolveu cerca de US$ 158 milhões a clientes do Ueno Bank, contemplando 64% das 1,87 milhão de contas com saldo. Os pagamentos são realizados com recursos do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), que protege depositantes em casos de quebra de instituições financeiras, cobrindo depósitos de até 75 salários mínimos paraguaios (cerca de R$ 201 mil por cliente). O FGD possui aproximadamente US$ 1,663 bilhão em recursos.

A agência Moody’s Ratings avaliou o episódio como negativo para o setor, mas ressaltou que o colapso do Ueno Bank não deve desencadear uma crise sistêmica no Paraguai, desde que o processo de resolução seja rápido e ordenado. Outros bancos paraguaios tendem a se beneficiar da migração de recursos, desde que a confiança no sistema seja mantida. A crise afetou milhares de brasileiros que vivem no Paraguai, muitos dos quais utilizavam o banco digital pela facilidade de abertura de contas.

Próximos passos e consequências políticas

O presidente interino do BCP, Pedro Acosta, informou que uma nova etapa de pagamentos será iniciada, incluindo clientes com dívidas com a instituição. A partir de quinta-feira (12), o Banco Central analisará solicitações individuais de clientes que ainda não receberam seus recursos. O Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) já utilizou 9,5% de seus recursos nas restituições.

A crise provocou uma crise institucional no Paraguai. O Senado destituiu o presidente Santiago Peña por 44 votos, e o então vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu o comando do país. Cerca de 32 mil aposentados que recebiam benefícios pela instituição estão sendo transferidos para outros oito bancos, com pagamentos previstos para 17 de novembro. O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai afirmou que o país “sai fortalecido” da crise, demonstrando a capacidade das instituições de enfrentar situações críticas dentro da ordem jurídica.

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