Papa Leão XIV é submetido a cirurgia de câncer de pulmão

Destaques
- •Papa Leão XIV, de 71 anos, foi operado para remover um nódulo canceroso no pulmão direito.
- •O caso reforça a preocupação com o aumento de câncer de pulmão em não fumantes, que representam cerca de 20% dos diagnósticos.
- •A ciência investiga fatores como poluição, fumo passivo e genética, enquanto novas terapias-alvo oferecem esperança.
O papa Leão XIV, de 71 anos, recebeu alta do Hospital Gemelli, em Roma, após uma cirurgia para remover o lobo inferior de seu pulmão direito, onde foi detectado um nódulo canceroso. A notícia, divulgada no último domingo, destaca a recuperação do sumo pontífice, que agradeceu pelas orações. A intervenção cirúrgica ocorreu quatro dias antes da alta hospitalar.
Apesar de ser um praticante de esportes e nunca ter fumado, o caso do papa Leão XIV se alinha a uma tendência crescente: cerca de 20% dos diagnósticos de câncer de pulmão ocorrem em pessoas que nunca fumaram. Este fenômeno intriga a ciência, que busca explicações e aprimora tratamentos para essa parcela de pacientes.
Fatores de risco e diagnóstico precoce
Entre as hipóteses para o aumento de casos em não fumantes estão a poluição do ar, o fumo passivo, predisposição genética e a exposição ao radônio, um gás radioativo encontrado em materiais de construção e no solo de algumas regiões do Brasil, como Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Paraná.
O câncer de pulmão raramente apresenta sintomas em estágios iniciais. Tosse com sangue e falta de ar, por exemplo, costumam surgir apenas quando a doença já se disseminou. Por isso, oito em cada dez pacientes descobrem o quadro em estágio avançado, com chances de cura reduzidas.
Para o diagnóstico precoce, a tomografia computadorizada de baixa dose é recomendada para indivíduos de alto risco, como homens e mulheres de 50 a 80 anos com histórico de tabagismo. No entanto, nódulos pulmonares são frequentemente identificados acidentalmente em exames realizados por outros motivos, especialmente com o maior acesso a exames de imagem.
Avanços no tratamento
No caso do papa, a detecção do nódulo ocorreu de forma acidental durante um check-up. Quando diagnosticado cedo, o câncer de pulmão pode ser curado com cirurgia. Contudo, em estágios mais avançados, a operação pode ser arriscada, e tratamentos como quimioterapia ou terapias-alvo se tornam necessários.
As terapias-alvo, em particular, representam um avanço significativo, especialmente para tumores com mutações genéticas comuns em não fumantes. Esses medicamentos são mais eficazes que a quimioterapia, pois atacam alterações moleculares específicas do câncer, aumentando a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.
A psicóloga Shirlei Meira de Miranda, de 55 anos, é um exemplo. Diagnosticada com câncer de pulmão em estágio avançado há dois anos, ela se beneficia de uma medicação para pacientes com mutação no gene EGFR. Ela compara sua situação com a da irmã, que faleceu da doença há trinta anos, quando tais tratamentos não existiam.
Novas diretrizes e alertas
Estudos recentes indicam que a exposição à poluição pode contribuir para mutações genéticas e o crescimento de casos, especialmente entre mulheres. Uma análise da OMS apontou que alterações genéticas como a do gene EGFR estão presentes em 50% dos tumores em mulheres asiáticas não fumantes e em quase 20% entre mulheres ocidentais que nunca fumaram.
O dilema atual é que as diretrizes de rastreamento da doença excluem o público não tabagista. Especialistas defendem a expansão dos exames para populações como mulheres que não fumam e vivem em cidades poluídas. Pessoas com histórico familiar ou sintomas respiratórios persistentes devem procurar um especialista para avaliar a necessidade de uma tomografia.
O caso do papa Leão XIV serve como um alerta sobre o crescimento da doença entre não fumantes e a importância da detecção precoce, mesmo na ausência de sinais claros.



