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Ourofino Saúde Animal usa IA para acelerar desenvolvimento de produtos veterinários

04 de novembro de 2026
Ourofino Saúde Animal usa IA para acelerar desenvolvimento de produtos veterinários

Destaques

  • •Inteligência artificial é aplicada em quatro frentes para otimizar pesquisa e desenvolvimento na Ourofino Saúde Animal.
  • •A tecnologia reduz o tempo de etapas críticas como triagem de estabilidade e análise de dados, além de auxiliar na gestão de portfólio.
  • •Próximos passos incluem a expansão da base de dados para modelos preditivos mais precisos e a aplicação da IA em ensaios clínicos internacionais.

A Ourofino Saúde Animal está utilizando inteligência artificial (IA) e modelos preditivos para otimizar seu processo de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de produtos veterinários. A tecnologia, que começou a ser aplicada desde o levantamento de informações científicas até a definição de projetos, atua em quatro frentes para melhorar o aproveitamento do conhecimento, acelerar experimentos, aumentar a eficiência e reduzir riscos e retrabalho.

Ferdinando Almeida, diretor de Negócios e Inovação da empresa, explica que a primeira frente é a inteligência científica e regulatória. A IA acelera o acompanhamento de literatura, patentes, ensaios clínicos e exigências de órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a VICH (iniciativa que harmoniza critérios técnicos para registro de medicamentos veterinários), a EMA (agência reguladora europeia) e a FDA (dos Estados Unidos). Ao organizar e cruzar essas informações, a tecnologia aprimora a qualidade das hipóteses que iniciam o ciclo de pesquisa.

Otimização de Formulações e Análise de Dados

A segunda frente abordada pela IA é o desenvolvimento das formulações. A tecnologia auxilia na seleção das composições mais promissoras e na previsão de seu comportamento ao longo do prazo de validade. Já a terceira frente, na análise de dados técnicos, a IA contribui para a reanálise estatística de estudos, o planejamento de experimentos e a investigação de causas de desvios de processo.

A quarta frente envolve a gestão do portfólio e dos projetos em desenvolvimento. A IA apoia a priorização de oportunidades, o acompanhamento de marcos e riscos, e a preparação de materiais para a tomada de decisão. "O ponto comum é que a IA entra onde há muito dado e pouca hora de especialista disponível. Ela organiza, cruza e questiona a informação, e o pesquisador decide", afirma Almeida. A empresa também utiliza o histórico interno de projetos, que inclui resultados de estudos anteriores e dados físico-químicos, para alimentar os modelos preditivos.

Ganho de Tempo e Eficiência

A aplicação da IA tem gerado ganhos significativos de tempo em diversas etapas do desenvolvimento. Na triagem de estabilidade, decisões que antes demandavam até seis meses de estudo acelerado agora são apoiadas por estimativas obtidas em semanas. Revisões em análise técnica e de dados, que levavam semanas, agora são concluídas em dias, liberando os especialistas para validação e tomada de decisão.

Na gestão do pipeline de projetos, relatórios semanais que antes consumiam horas de trabalho da equipe de coordenação agora são gerados automaticamente pelo sistema. O desenvolvimento de um produto veterinário pode levar de cinco a dez anos, com etapas demoradas como estudos de estabilidade (24 meses ou mais), testes de eficácia e segurança, e aprovação regulatória. A IA atua nesses gargalos, selecionando composições promissoras, aprimorando o planejamento de testes e antecipando exigências regulatórias, reduzindo procedimentos adicionais e retrabalho.

Mudança de Lógica e Próximos Passos

"A mudança principal é de lógica: deixamos de testar para descobrir e passamos a prever para escolher o que testar", explica Almeida. Com o apoio da IA, os pesquisadores extraem mais informações de cada teste, reduzem a necessidade de novas etapas e diminuem o risco de interpretações equivocadas. Essa tecnologia já foi aplicada em projetos de vacinas para suínos, antiparasitários para bovinos e produtos para animais de companhia.

A Ourofino adota um modelo híbrido, combinando plataformas de IA de mercado com fluxos e aplicações desenvolvidos internamente. O conhecimento científico permanece com a empresa, que também potencializa o trabalho com universidades e centros de pesquisa. A área de Tecnologia garante a infraestrutura e a segurança, enquanto P&D valida os resultados. A decisão final, no entanto, é sempre humana, científica e documentada, com previsões sendo confirmadas experimentalmente e modelos calibrados continuamente.

Entre os próximos passos estão a ampliação da base de formulações e estudos para tornar os modelos preditivos mais precisos. A empresa também pretende expandir o uso da IA no desenho de ensaios clínicos e na inteligência regulatória de diferentes países, visando a internacionalização do portfólio. A integração da IA à gestão de projetos será aprofundada, com alertas automáticos de risco e prazo, e a capacitação dos pesquisadores para o uso responsável e crítico da tecnologia.

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