Oposição indiana protesta em Nova Délhi contra Comissão Eleitoral

Destaques
- •Milhares de indianos protestaram em Nova Délhi exigindo a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar.
- •A oposição alega que a revisão das listas de eleitores, que removeu mais de 130 milhões de nomes, favorece o partido do primeiro-ministro Narendra Modi.
- •A Comissão Eleitoral nega as acusações e afirma que a revisão visa aprimorar a precisão dos registros eleitorais.
Milhares de pessoas participaram neste domingo (01/11) de uma manifestação em Nova Délhi, capital da Índia, para exigir a renúncia de Gyanesh Kumar, presidente da Comissão Eleitoral do país. O protesto, convocado por partidos de oposição, acusa a autoridade eleitoral de conduzir uma revisão das listas de eleitores que favorece o governista Partido do Povo Indiano (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi. A próxima eleição parlamentar nacional da Índia está prevista para 2029.
Rahul Gandhi, líder do Partido do Congresso, declarou à agência ANI que a revisão das listas de eleitores representa um "roubo da voz de cada indiano" e uma "traição". Ele afirmou que a saída de Kumar seria o primeiro passo para "recolocar o país no caminho correto" e que medidas legais seriam tomadas contra o governo Modi.
Revisão dos registros eleitorais sob escrutínio
O principal motivo da manifestação é a revisão dos registros eleitorais iniciada no ano passado, que resultou na retirada de mais de 130 milhões de nomes das listas. Desse total, aproximadamente 28 milhões eram de pessoas falecidas, 63 milhões de eleitores que mudaram de endereço e 30 milhões de pessoas que não puderam ser localizadas.
Os partidos de oposição alegam que o procedimento atingiu desproporcionalmente eleitores muçulmanos e integrantes de outras minorias religiosas e sociais, considerados menos propensos a votar no BJP. Questionam também os critérios utilizados para excluir eleitores e os procedimentos de recadastramento.
A mobilização foi organizada pelo bloco oposicionista INDIA e contou com a participação de organizações estudantis e do movimento juvenil Partido Popular das Baratas (Cockroach Janta Party). Nas semanas anteriores, manifestações deste grupo haviam sido alvo de operações policiais, com detenções de milhares de pessoas em Nova Délhi.
Antecedentes e posicionamentos
As manifestações contra Kumar ganharam força após o jornal The Indian Express publicar informações sobre questionamentos internos apresentados por dois vice-presidentes da Comissão Eleitoral a respeito das alterações nas listas, dos procedimentos de cadastramento e dos sistemas digitais utilizados pela instituição.
A Comissão Eleitoral, em nota pública, nega favorecimento político e afirma que a revisão busca eliminar registros duplicados e inscrições de pessoas que não atendem aos critérios eleitorais. A instituição também sustenta que eleitores cujos nomes tenham sido retirados indevidamente podem solicitar novo cadastramento.
O ministro da Saúde da Índia, Jagat Prakash Nadda, criticou a mobilização, classificando o protesto como uma "encenação cuidadosamente orquestrada" e uma tentativa de levar o país à "anarquia sob o argumento de defesa da democracia". Até o momento, não há registro de uma manifestação pública direta do primeiro-ministro Narendra Modi sobre os protestos.
Ação policial e próximos passos
Centenas de policiais foram posicionados nas proximidades do local do ato, acompanhados por veículos de controle de distúrbios. As autoridades anunciaram alterações no trânsito para permitir a realização da marcha até o espaço público de Ramlila Maidan, onde ocorreu a concentração.
Manifestantes carregaram bandeiras indianas e de partidos políticos, enquanto lideranças da oposição participaram do deslocamento em um veículo aberto. A próxima eleição parlamentar nacional está prevista para 2029, e as tensões políticas em torno da integridade do processo eleitoral tendem a se intensificar.
Matérias originais
- Milhares protestam na Índia e exigem renúncia do chefe da Comissão Eleitoral · operamundi.uol.com.br



