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ONU aprova resolução pedindo fim do embargo dos EUA a Cuba, mas apoio diminui

28 de outubro de 2026
ONU aprova resolução pedindo fim do embargo dos EUA a Cuba, mas apoio diminui

Destaques

  • •Assembleia Geral da ONU votou pela 33ª vez contra o embargo econômico dos EUA a Cuba, com 130 votos a favor.
  • •O número de países favoráveis à resolução diminuiu significativamente em relação a anos anteriores, refletindo a pressão diplomática dos EUA.
  • •O Brasil votou a favor da medida, criticando os efeitos extraterritoriais das sanções americanas.

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira (28/10) uma resolução que pede o fim do embargo econômico, comercial, energético e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais de seis décadas. A votação, que ocorreu após debates na sede da ONU em Nova York, registrou 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. O Brasil se posicionou a favor da medida.

A resolução cubana, que exige o fim do bloqueio, tem sido aprovada anualmente pela grande maioria dos países-membros da ONU por 33 anos consecutivos. No entanto, a votação deste ano apresentou o menor número de apoios desde 1995, evidenciando uma mobilização diplomática do governo dos Estados Unidos para reduzir a adesão internacional à iniciativa. Em 2025, a resolução havia recebido 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções, e em 2017, o apoio chegou a 191 países.

Pressão diplomática dos EUA e divisões regionais

O governo americano, sob a liderança do presidente Donald Trump, intensificou a pressão sobre outros governos para que rejeitassem a resolução. Na semana anterior à votação, a missão dos Estados Unidos na ONU organizou eventos para contestar a responsabilidade do embargo pela crise econômica e social em Cuba. Essa ofensiva diplomática parece ter surtido efeito, com países como Alemanha e Itália se abstendo pela primeira vez em muitos anos.

Na América Latina, a resolução também encontrou resistência. Argentina, Colômbia, Paraguai, Equador e Costa Rica votaram contra o texto, enquanto Chile, República Dominicana, Honduras e Peru se abstiveram. Brasil, México, Uruguai, Nicarágua e Panamá apoiaram a iniciativa, demonstrando uma divisão regional.

Críticas ao bloqueio e incidentes diplomáticos

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, celebrou o que chamou de "apoio majoritário" da comunidade internacional, destacando a condenação ao bloqueio e à política de "máxima asfixia" dos EUA. Ele criticou a postura do representante americano na ONU, afirmando que o país agiu em "óbvio isolamento" e "não teve coragem de explicar ao mundo a razão do cerco energético criminoso". O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, classificou a tentativa dos EUA de manter o embargo como um "ato de punição coletiva e genocídio".

Durante os debates, houve um confronto verbal entre o representante norte-americano, Mike Waltz, e o ministro cubano. Waltz acusou um diplomata cubano de "agredir um diplomata norte-americano" e anunciou que o primeiro-secretário da missão de Cuba na ONU, Richard Tur de la Concepción, seria expulso dos Estados Unidos.

Impacto no Brasil e próximos passos

O representante brasileiro na ONU, Sergio Danese, defendeu o fim das restrições americanas, citando relatórios sobre os obstáculos à ajuda humanitária a Cuba e questionando os efeitos da legislação americana sobre a soberania de terceiros Estados e os interesses de seus cidadãos e empresas. A posição brasileira contrasta com a adotada durante o governo Jair Bolsonaro, que em 2019 votou contra a resolução.

O embargo, que tem origem em 1962, foi intensificado pelo governo Trump, que também reinseriu Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo em janeiro de 2021, uma decisão revertida por Joe Biden em janeiro de 2025, mas que Trump voltou a considerar. A Casa Branca justifica a pressão com argumentos de segurança regional e a relação de Cuba com países como China, Rússia e Irã. A votação na ONU tem peso político, mas somente o Congresso dos EUA pode suspender o embargo.

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