Oncoclínicas: Credores com R$ 4,3 bilhões aderem à recuperação extrajudicial

Destaques
- •Oncoclínicas anuncia que credores representando 74,6% da dívida aderiram ao plano de recuperação extrajudicial.
- •A adesão de R$ 4,3 bilhões é um passo crucial para a reestruturação financeira da rede de clínicas oncológicas.
- •Próximos passos incluem a aprovação final do plano e a implementação das novas condições de pagamento e reestruturação.
A rede de clínicas oncológicas Oncoclínicas informou ao mercado nesta segunda-feira (22) que credores com créditos que ultrapassam R$ 4,3 bilhões aderiram ao seu plano de recuperação extrajudicial. Esse valor corresponde a 74,6% da base de créditos abrangidos, que totaliza cerca de R$ 5,8 bilhões, desconsiderando operações entre empresas do grupo.
O avanço na negociação com credores ocorre após a companhia protocolar uma versão atualizada do plano de reestruturação, que substitui uma proposta anterior apresentada em agosto. A primeira versão previa a renegociação de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.
Proposta de Reestruturação
A nova versão do plano de recuperação extrajudicial da Oncoclínicas oferece diversas modalidades de pagamento e reestruturação de dívidas. Entre as principais propostas estão a troca de parte da dívida por novos instrumentos financeiros, o alongamento dos prazos de pagamento e a entrega de determinados ativos.
Adicionalmente, o plano prevê a emissão de debêntures conversíveis e a quitação parcial dos débitos por meio da emissão de novas ações da própria companhia. O documento também contempla descontos em algumas opções de pagamento e condições específicas para fornecedores que mantêm relações comerciais ativas com a empresa.
Antecedentes da Recuperação Extrajudicial
A Oncoclínicas anunciou o pedido de recuperação extrajudicial em meados de julho, como parte de um processo mais amplo de reestruturação de sua dívida financeira. Diferentemente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial permite que empresas em dificuldades financeiras renegociem suas dívidas diretamente com os credores, buscando acordos para a reestruturação.
A atual situação financeira da companhia é resultado de uma estratégia de expansão agressiva adotada após sua oferta pública inicial de ações (IPO) em 2021. Inicialmente focada em tratamentos oncológicos, a empresa ampliou seu escopo para áreas de alta complexidade do tratamento oncológico e buscou adquirir hospitais.
Desafios e Fatores da Crise
A estratégia de aquisição de hospitais, contudo, não obteve o sucesso esperado, em parte devido à falta de expertise da companhia na gestão dessas novas áreas. Como consequência, a Oncoclínicas precisou vender hospitais adquiridos e cancelar a construção de outros.
O processo de reestruturação também envolveu diversas capitalizações e uma relação com o Banco Master, que chegou a injetar capital na companhia. A situação foi agravada por um ambiente de juros elevados, dificuldades na integração dos ativos adquiridos e a necessidade de reforçar o caixa, culminando no atual processo de recuperação extrajudicial.



