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Grupos estrangeiros lideram investimentos em infraestrutura no Brasil

05 de novembro de 2026
Grupos estrangeiros lideram investimentos em infraestrutura no Brasil

Destaques

  • •Investidores internacionais foram responsáveis por 75% dos R$ 24,4 bilhões em investimentos previstos em grandes leilões de infraestrutura até outubro de 2026.
  • •O apetite estrangeiro é impulsionado pelo volume de concessões e pela familiaridade com as regras do setor, com destaque para rodovias, aeroportos e transmissão de energia.
  • •O Ministério dos Transportes busca ampliar fontes de financiamento e atrair investidores de longo prazo, com roadshows internacionais e foco em mecanismos para mitigar riscos cambiais e de juros.

Grupos estrangeiros têm consolidado sua presença na infraestrutura brasileira, liderando investimentos em setores como rodovias, aeroportos, saneamento e transmissão de energia. Dos sete grandes leilões de infraestrutura previstos até outubro de 2026, cinco tiveram vencedores com participação estrangeira, respondendo por cerca de R$ 24,4 bilhões em investimentos, o que representa aproximadamente 75% do total.

O apetite de capital estrangeiro é explicado pelo volume de concessões disponíveis e pela crescente familiaridade dos investidores com as regras do setor no Brasil. "O Brasil é um mercado difícil de ignorar para esses grupos globais", afirma João Auler, head de infraestrutura do UBS BB.

Presença diversificada e novos participantes

A presença estrangeira no setor de infraestrutura brasileiro é considerada "relativamente bem diversificada", segundo Rogério Yamashita, responsável pela área de infraestrutura em project finance do Itaú BBA. Ele antecipa que os próximos leilões atrairão tanto empresas já estabelecidas no país quanto novos investidores, impulsionados pela quantidade de oportunidades.

No leilão de transmissão realizado em outubro, grupos espanhóis como Celeo, Cymi, Neoenergia e Cox arremataram sete dos oito lotes, com a portuguesa EDP ficando com o restante. No setor rodoviário, a italiana ASTM, controladora da EcoRodovias, venceu o leilão da concessão Rotas Gerais, enquanto a portuguesa Mota-Engil, através do Consórcio 116 Sertões, arrematou a Rota dos Sertões.

Desde 2023, o Ministério dos Transportes tem buscado ativamente investidores dispostos a financiar obras e aportar capital em concessionárias. "Já passamos da fase de querer trazer novos operadores. Agora é o momento de consolidar a estrutura financeira dessa carteira", declarou George Santoro, ministro dos Transportes.

Leilões e parcerias público-privadas em foco

Outros setores também têm atraído investidores estrangeiros. A espanhola Acciona conquistou em maio a parceria público-privada (PPP) de esgoto da Paraíba, e a espanhola Aena venceu o leilão da concessão repactuada do Galeão em março. A Aena, juntamente com Zurich Airport e a mexicana Asur, são apontadas como potenciais interessadas no leilão do Aeroporto de Brasília, previsto para novembro.

O "superdezembro" trará projetos de cerca de R$ 50 bilhões, incluindo certames rodoviários como a Rota do Pequi e a Rota 2 de Julho, além de uma nova rodada da PPP de esgoto do Ceará e o chamamento público do Corredor Ferroviário Minas-Rio. A Nova Infra Invest, parceira da Mota-Engil, avalia disputar a concessão da Rota 2 de Julho.

Para operadoras europeias, o Brasil representa um mercado com oportunidades de crescimento, especialmente em rodovias, onde há poucas novas concessões em seus países de origem. A experiência acumulada em mercados maduros como Itália, Espanha e França é um diferencial.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Internext em 2024 analisou os potenciais do investimento estrangeiro direto (IED) para a sustentabilidade da infraestrutura no Brasil, com base em 89 projetos de concessão do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O IED demonstrou ser crucial para a consolidação de projetos de concessão no setor de infraestrutura, embora com um potencial inexplorado para promover o desenvolvimento sustentável. A pesquisa ressalta a necessidade de considerar a sustentabilidade desde as fases iniciais dos projetos e de compor um framework que englobe projetos e avaliação, com o comprometimento da alta administração e o apoio governamental sendo fatores fundamentais.

Outro estudo, publicado na Revista de Administração Pública em 2022, identificou as principais motivações e barreiras para a atração de investimentos do mercado de capitais para a infraestrutura no Brasil. Concluiu-se que, para suprir a lacuna de investimentos, são necessárias reformas institucionais mais amplas para atrair investidores de longo prazo. A certificação verde de projetos de infraestrutura é apontada como uma estratégia interessante para atrair investimentos, sobretudo estrangeiros, que avaliam o ambiente de investimentos no país como desfavorável devido à alta volatilidade cambial e instabilidade política.

Financiamento e atratividade do mercado

O Ministério dos Transportes busca ampliar as fontes de recursos para financiar obras e viabilizar novas concessões, apresentando a carteira de projetos em um roadshow em Londres. O pipeline para 2027 prevê 29 contratos rodoviários e ferroviários, com R$ 262,6 bilhões de investimento.

As opções de financiamento incluem aportes de private equity e empréstimos de fundos de crédito. O ministro George Santoro relatou uma avaliação positiva sobre o Brasil em Londres, baseada na solidez das instituições e no respeito aos contratos. A confiança na resolução da situação fiscal brasileira também foi destacada.

A oferta de crédito, o nível de juros e o câmbio são fatores cruciais na decisão de investir. Para investidores estrangeiros, a volatilidade cambial pode precificar um risco maior, uma vez que as receitas do setor são predominantemente em reais. O BNDES e o mercado de capitais brasileiro têm atendido à demanda por financiamento, mas há espaço para sofisticar os mecanismos de gestão de riscos e ampliar as fontes de recursos.

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