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Obesidade na Atenção Primária do Brasil triplica em 10 anos, aponta Ministério da Saúde

01 de novembro de 2026
Obesidade na Atenção Primária do Brasil triplica em 10 anos, aponta Ministério da Saúde

Destaques

  • •Número de adultos com obesidade acompanhados pelo SUS mais que triplicou em uma década.
  • •Em 24 estados, a obesidade supera o peso adequado entre os pacientes monitorados.
  • •Estudo internacional aponta desafios no tratamento e financiamento da doença no Brasil.

O número de adultos com obesidade acompanhados pela Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil mais que triplicou em 10 anos. Segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, os registros saltaram de 3,09 milhões em 2016 para 11,12 milhões no período de janeiro a outubro de 2026, um aumento de 259%.

Os dados mais recentes revelam que, entre os adultos monitorados pelo Sisvan, 11,12 milhões têm obesidade e outros 10,76 milhões apresentam sobrepeso. Somadas, essas condições representam 21,88 milhões de pessoas com excesso de peso, o que equivale a 71,5% do total acompanhado pelo sistema. O Sisvan reúne informações sobre o estado nutricional de pessoas atendidas na APS, a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), e, portanto, os números refletem o cenário entre quem é assistido pelos serviços.

Obesidade supera peso adequado em 24 estados

A proporção de adultos com obesidade entre os acompanhados pelo Sisvan ultrapassa a de pessoas com peso adequado em 24 das 27 unidades da Federação. Em 18 estados, pelo menos 70% das pessoas monitoradas apresentam excesso de peso.

O Rio Grande do Sul lidera em proporção de adultos com obesidade, com 42,6%, seguido por São Paulo (40,5%) e Rio de Janeiro (40,1%). Quando sobrepeso é incluído, o Rio Grande do Sul mantém a liderança com 75,9% dos adultos acompanhados acima do peso, seguido pelo Rio Grande do Norte (75,5%) e Amapá (74,5%).

Em números absolutos, São Paulo concentra o maior número de adultos com obesidade monitorados, com 1,74 milhão. Minas Gerais aparece em segundo lugar com 1,16 milhão, seguido pelo Rio de Janeiro com 759,2 mil e Bahia com 735,3 mil.

Crescimento da obesidade e desafios no tratamento

A evolução dos registros nacionais também indica que a obesidade tem ocupado uma parcela maior do excesso de peso entre os adultos. A proporção de pessoas com a condição subiu de 25,1% em 2016 para 31,9% em 2022, e atingiu 36,4% em 2026. Esse crescimento reforça o debate sobre a capacidade dos serviços de saúde em oferecer prevenção, acompanhamento e tratamento.

O tema foi discutido no XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade, em Salvador. O endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial da Obesidade, apresentou resultados preliminares do estudo internacional MAPPS II, que investiga como diferentes países organizam políticas de prevenção e tratamento da obesidade. O levantamento, conduzido pela Federação Mundial da Obesidade, reúne informações sobre pacientes, profissionais de saúde e sistemas públicos.

Financiamento insuficiente e acesso dificultado

Entre os problemas identificados pelo estudo MAPPS II estão o financiamento insuficiente, os custos pagos diretamente pelos pacientes, a estrutura inadequada dos serviços e o preconceito relacionado ao peso, inclusive entre profissionais de saúde. Halpern destacou a distância entre o reconhecimento formal da obesidade como doença crônica e a existência de condições efetivas para seu tratamento.

“Um dos principais pontos que vimos até agora é a distância entre o reconhecimento formal da obesidade como doença crônica e a existência de condições efetivas para seu tratamento”, afirmou Halpern. A avaliação do apoio financeiro dos governos ao tratamento recebeu notas baixas, entre 1 e 3 em uma escala de 1 a 10, indicando que, em muitos países, os pacientes precisam arcar com os custos do próprio atendimento, dificultando o acesso em nações de baixa e média renda.

O estudo também apontou dificuldades na oferta de atendimento multidisciplinar, com falta de nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas. Para Halpern, as políticas de saúde precisam estar articuladas com medidas de educação, alimentação, renda, trabalho e organização das cidades.

O Brasil é o país com o maior número de participantes no MAPPS II e o único das Américas selecionado para uma investigação aprofundada. Os resultados globais do estudo estão previstos para 4 de março de 2027, Dia Mundial da Obesidade, com um relatório específico sobre o Brasil a ser publicado no próximo ano.

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