Novos tratamentos para câncer de endométrio e pulmão são apresentados em congresso

Destaques
- •Imunoterapia e anticorpos conjugados mostram resultados promissores em ensaios clínicos para câncer de endométrio e pulmão.
- •Novas terapias podem reduzir a necessidade de quimioterapia e prolongar a sobrevida de pacientes com tumores avançados ou recorrentes.
- •Resultados de estudos como TroFuse-005, KEYNOTE-C93 e RUBY para câncer de endométrio, e DeLLphi-305 para câncer de pulmão, foram apresentados na ESMO.
Novas perspectivas de tratamento para o câncer de endométrio e para o câncer de pulmão de pequenas células foram apresentadas no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri. As pesquisas destacam o avanço no uso de imunoterapia e de medicamentos combinados, com potencial para reduzir a necessidade de quimioterapia e aumentar a sobrevida de pacientes com a doença em estágio avançado ou recorrente.
No Brasil, o câncer de endométrio é o sexto tumor mais incidente entre as mulheres, com estimativas de 9.650 novos casos anuais entre 2026 e 2028. Para o câncer de pulmão de pequenas células, a doença corresponde a cerca de 10% a 15% dos casos de câncer pulmonar e é conhecida por sua rápida progressão.
Novas terapias para câncer de endométrio
Um dos estudos, o TroFuse-005, avaliou o sacituzumabe tirumotecana em pacientes com câncer de endométrio avançado ou recorrente. O medicamento, que combina um anticorpo com uma substância citotóxica, demonstrou aumentar a sobrevida global mediana para 19 meses, contra 12,1 meses com terapias anteriores. A sobrevida livre de progressão também melhorou, passando de 3,9 para 7,2 meses. Apesar dos resultados promissores, efeitos adversos como estomatite exigiram interrupção ou redução de dose em parte das pacientes.
Outra pesquisa, o KEYNOTE-C93, investigou o pembrolizumabe isolado em pacientes com tumores dMMR (deficiência no sistema de reparo do DNA). A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 38,2 meses com a imunoterapia, comparado a 8,4 meses com quimioterapia. Esses resultados sugerem um controle prolongado da doença para esse grupo específico, embora não comparem a monoterapia com a combinação quimioterapia-imunoterapia atualmente utilizada.
O estudo RUBY apresentou o dostarlimabe associado à quimioterapia, que reduziu em 31% o risco relativo de morte na população geral. Em pacientes com tumores dMMR ou MSI-H, a combinação obteve uma redução de 66% no risco de morte e 70% no risco de progressão. No Brasil, a incorporação do dostarlimabe ao SUS está em avaliação.
Avanços no tratamento de câncer de pulmão
Para o câncer de pulmão de pequenas células, o estudo DeLLphi-305 avaliou a adição da imunoterapia tarlatamabe ao durvalumabe como tratamento de manutenção. A combinação resultou em uma sobrevida global mediana de 21,1 meses, contra 12,7 meses no grupo controle, o que representa uma redução de 58% no risco de morte. A sobrevida livre de progressão também aumentou significativamente, com uma redução de 66% no risco de progressão ou morte.
A oncologista Luciana Landero, do grupo Oncoclínicas, destacou que os avanços refletem a importância de individualizar o tratamento, seja reduzindo a intensidade terapêutica ou incorporando novas estratégias para prolongar a sobrevida. Os resultados apresentados na ESMO abrem novas portas para o manejo dessas doenças oncológicas.

