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Novos cinemas de rua em SP apostam em design, gastronomia e curadoria

30 de outubro de 2026
Novos cinemas de rua em SP apostam em design, gastronomia e curadoria

Destaques

  • •Novas salas de cinema de rua em São Paulo buscam atrair público com experiências que vão além da projeção de filmes.
  • •Espaços combinam arquitetura, gastronomia e curadoria para se tornarem destinos culturais.
  • •Projetos como Cine Tutu, Nu Cine Copan e Cine Rosário preveem reaberturas e novas inaugurações nos próximos anos.

Uma nova geração de cinemas de rua em São Paulo está apostando em experiências que vão além da simples exibição de filmes para atrair um público saturado de opções de entretenimento em casa. O objetivo é transformar a ida ao cinema em um destino cultural e de convivência, combinando arquitetura de destaque, gastronomia refinada e curadoria cuidadosa de filmes.

Em São Paulo, o empresário Paulo Velasco, sócio-fundador da Cinesala, tem liderado esse movimento. Após o sucesso da Cinesala, ele inaugurou o Cine Tutu na Vila Madalena, ocupando um edifício projetado por Isay Weinfeld. O novo espaço conta com uma sala de 114 lugares e investe em um ambiente com poltronas floridas, design de interiores e uma experiência que começa antes mesmo da sessão, com pôsteres garimpados em galerias e uma cabine fotográfica.

Experiência completa: design e gastronomia

O cuidado com o ambiente é um dos pilares. As poltronas do Cine Tutu são revestidas com tecido floral da Entreposto, contrastando com cortinas de veludo verde. Para Velasco, o espaço precisa ser um convite para sair de casa e valorizar o tempo dedicado ao cinema.

A gastronomia é outro componente essencial. O Barouche funciona como café-bar em ambos os cinemas de Velasco, permitindo que o público chegue antes, estenda a conversa após o filme ou frequente o local independentemente de assistir a uma sessão. O cardápio do Cine Tutu inclui opções como croissants, chocolate, sorvetes e uma seleção de vinhos, além de coquetéis criados por Danilo Nakamura e cervejas artesanais de produtores nacionais.

Curadoria como diferencial

Em uma era de catálogos extensos de streaming, a curadoria cuidadosa de filmes atua como um alívio para a ansiedade da escolha. Velasco avalia que ajudar o público a escolher o que assistir é um serviço valioso.

Essa combinação de fatores tem atraído um público diversificado, incluindo tanto espectadores saudosistas quanto a Geração Z. Para os mais jovens, que cresceram com o streaming, a novidade pode ser justamente a experiência de tomar um café, uma taça de vinho e sentar em um sofá para assistir a um filme selecionado por curadores.

Modelo de negócio diversificado

Para garantir a sustentabilidade financeira, o novo cinema de rua adota uma estratégia de diversificação de negócios, não dependendo exclusivamente da bilheteria. Embora esta ainda seja a principal fonte de receita, patrocínios, parcerias com marcas, locação para eventos e a operação gastronômica são cruciais para o fechamento das contas.

Velasco recebe centenas de propostas de eventos anualmente, mas é seletivo, priorizando as salas para as exibições de filmes. A Cinesala atrai entre 100 mil e 120 mil pessoas por ano, e para o Cine Tutu, espera-se uma alta taxa de ocupação.

Os sócios do Cine Tutu incluem Alfredo Setubal (sócio da Editora Todavia), a pesquisadora Mariana Lucas (professora de Cinema e Audiovisual na FAAP) e Marcos Nisti (sócio-fundador da Maria Farinha Filmes). A Cinesala foi fundada em 2014 por Velasco, o futebolista Raí e Adhemar Oliveira.

Expansão para o Centro de São Paulo

O movimento de revitalização de cinemas de rua se estende ao Centro de São Paulo. O icônico cinema do edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer e fechado desde 1986, tem previsão de reabertura para junho de 2027 como Nu Cine Copan, após patrocínio do Nubank. O espaço terá uma sala moderna com tela de LED e estrutura para shows e eventos.

A alguns quarteirões dali, o Cine Rosário, no Edifício Martinelli, reabrirá em 2028. O Grupo Tokyo planeja investir R$ 25 milhões no local, que terá programação de clássicos, cópias em película e outras apresentações artísticas, adaptado às exigências atuais de acessibilidade, conforto e segurança.

Esses projetos unem a recuperação do patrimônio histórico à criação de novos pontos de encontro. Enquanto alguns partem de edifícios históricos, outros, como o Cine Tutu, constroem uma identidade contemporânea. Velasco busca expandir sem padronizar, respeitando as características de cada local.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Projetica em 2016, intitulado "Design de serviços para uma experiência significativa na revitalização de um cinema de rua", propõe uma experiência envolvente para a revitalização do Cine Lumière, um cinema de rua que existiu em Novo Hamburgo – Rio Grande do Sul. O objetivo do trabalho foi apontar possibilidades para resgatar o espaço e oferecer à população atual uma alternativa de lazer e cultura distinta dos cinemas contemporâneos, utilizando o design de serviços.

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