Nova pílula combinada para hipertensão mostra eficácia em estudo brasileiro

Destaques
- •Pesquisa brasileira desenvolveu um comprimido único com três medicamentos para tratar hipertensão arterial.
- •O novo tratamento demonstrou maior redução da pressão arterial e maior taxa de controle em comparação com terapias convencionais.
- •Estudo analisou a eficácia em diferentes subgrupos populacionais, como sexo, raça e risco cardiovascular.
Um novo ensaio clínico desenvolvido no Brasil, o OPTION TREAT, testou a eficácia de um comprimido único que combina três medicamentos para o tratamento da hipertensão arterial: candesartana, clortalidona e anlodipino. A pesquisa, conduzida por cientistas do Einstein em colaboração com a Libbs Farmacêutica, a Universidade São Francisco (USF) e o Centro Universitário CESMAC, visa simplificar o tratamento e aumentar a adesão dos pacientes, um dos principais desafios no combate à doença. A hipertensão arterial afeta 29,7% da população adulta no Brasil, e cerca de 19,3% dos diagnosticados não utilizam medicação para controle, segundo o Ministério da Saúde.
Simplificando o tratamento da hipertensão
O principal obstáculo no manejo da hipertensão é a adesão do paciente ao tratamento. Estudos indicam que apenas 20% a 40% dos hipertensos conseguem manter a pressão controlada, muitas vezes necessitando de duas ou mais classes de medicamentos. A confusão com os remédios, esquecimento ou abandono do tratamento são comuns, especialmente em pacientes com outras comorbidades como diabetes e colesterol alto. A nova pílula combinada busca solucionar essa questão, oferecendo uma única dose diária.
Embora já existam comprimidos com combinações de medicamentos, esta foi a primeira pesquisa no Brasil a incluir a clortalidona, um diurético tiazídico de alta potência com eficácia comprovada no combate à pressão alta, em uma formulação combinada.
Resultados do ensaio clínico
A pesquisa, publicada em agosto de 2025 no periódico JACC: Advances, avaliou 703 adultos com hipertensão não controlada. Após 12 semanas, o grupo que recebeu o novo comprimido combinado apresentou uma redução média de 22,6 mmHg na pressão arterial sistólica, superior aos 18,2 mmHg do grupo de controle, que utilizou uma combinação de valsartana, hidroclorotiazida e anlodipino. A proporção de pacientes que atingiram a pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg foi de 69,3% no grupo do novo comprimido, contra 59,8% no grupo de controle.
“Logo no início houve uma queda importante da pressão, que se manteve estável ao longo de todas as semanas de acompanhamento”, afirmou a cardiologista Patrícia Oliveira Guimarães, head de Ensaios Clínicos em Cardiologia na ARO Einstein. Os pesquisadores observaram que a resposta ao medicamento é mais significativa no início do tratamento.
Análise por subgrupos populacionais
Em um desdobramento do estudo, os pesquisadores analisaram a resposta ao tratamento em diferentes subgrupos: sexo biológico, raça e nível de risco cardiovascular. Os resultados, apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), mostraram que o comprimido combinado foi superior em todas as subanálises.
Mulheres apresentaram uma redução média de pressão sistólica de 23,9 mmHg, superior aos 18,7 mmHg dos homens. Pacientes brancos, negros e pardos responderam de maneira semelhante, com uma redução adicional média de 5,48 mmHg na pressão sistólica em comparação com o outro tratamento, reforçando o potencial de aplicação em populações diversas como a brasileira.
Pacientes de risco baixo ou intermediário tiveram uma redução adicional média de 4,13 mmHg na pressão sistólica em comparação com os de alto risco. “Em todos os casos analisados, a pressão estava alta e a terapia tripla anti-hipertensiva combinada conseguiu demonstrar uma boa resposta”, concluiu Patrícia Guimarães. A pesquisa sugere que o acompanhamento individual da evolução do paciente é o mais importante.
Matérias originais
- Combinação de remédios pode melhorar controle da hipertensão · poder360.com.br



