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Diabetes dobra risco de perda auditiva moderada a grave em adultos

31 de outubro de 2026
Diabetes dobra risco de perda auditiva moderada a grave em adultos

Destaques

  • •Um em cada quatro adultos com diabetes sofre de perda auditiva moderada a grave.
  • •A doença está associada a um risco 2,41 vezes maior de comprometimento auditivo, especialmente em adultos jovens.
  • •Especialistas recomendam a inclusão de avaliações auditivas no acompanhamento rotineiro de pacientes diabéticos.

Um estudo recente aponta que adultos com diabetes têm o dobro de chances de desenvolver perda auditiva moderada a grave em comparação com pessoas sem a doença. A pesquisa, uma revisão sistemática de 29 estudos publicados entre 2000 e 2025, revelou que aproximadamente 24% dos participantes com diabetes apresentavam um déficit auditivo de pelo menos 40 decibéis, o que pode dificultar significativamente a compreensão de conversas.

A revisão destacou que a associação entre diabetes e perda auditiva é particularmente forte em adultos com menos de 60 anos, que apresentaram um risco três vezes maior de desenvolver o problema. Para os indivíduos com mais de 60 anos, a relação não foi estatisticamente significativa, possivelmente devido à maior prevalência de perda auditiva relacionada ao envelhecimento natural.

Como o diabetes afeta a audição

A hipótese principal para essa conexão é que os níveis persistentemente elevados de glicose no sangue podem danificar os pequenos vasos sanguíneos e as estruturas nervosas da cóclea, a parte do ouvido interno responsável pela audição. Esse processo é semelhante ao que causa outras complicações do diabetes, como a retinopatia (danos à visão), neuropatia (danos aos nervos) e nefropatia (danos aos rins).

O endocrinologista Simão Augusto Lottenberg, do Einstein Hospital Israelita, ressalta que a perda auditiva associada ao diabetes é uma contribuição relativamente nova para a compreensão da doença. Ele observa que a perda auditiva ainda não é sistematicamente integrada aos protocolos de cuidado do diabetes e progride silenciosamente, muitas vezes sem que os pacientes percebam as limitações até que se tornem evidentes.

Tempo de doença e risco auditivo

A duração da convivência com o diabetes também parece influenciar o risco de perda auditiva. Pessoas com a doença há menos de 10 anos tiveram uma probabilidade 2,68 vezes maior de apresentar perda auditiva moderada a grave. Embora um estudo tenha sugerido um risco ainda maior para aqueles com mais de 10 anos de diagnóstico, os pesquisadores alertam que os dados são insuficientes para confirmar essa tendência.

A dificuldade em compreender conversas pode se tornar um problema significativo quando a perda auditiva atinge pelo menos 40 decibéis. A falta de percepção precoce do problema agrava a situação, pois a audição declina de forma imperceptível até que as limitações se tornem claras.

Recomendações e próximos passos

Diante desses achados, os autores da revisão defendem a incorporação da avaliação auditiva como parte do acompanhamento de rotina de pessoas com diabetes. Lottenberg enfatiza a importância de incluir essa avaliação, especialmente para adultos mais jovens, onde o impacto do diabetes é mais proeminente.

A recomendação visa garantir que o comprometimento auditivo seja detectado precocemente, permitindo intervenções que possam mitigar seus efeitos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes diabéticos. A Agência Einstein publicou originalmente esta notícia em 25 de outubro de 2026.

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