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Nova pílula com 3 remédios aumenta adesão ao tratamento de hipertensão

08 de novembro de 2026
Nova pílula com 3 remédios aumenta adesão ao tratamento de hipertensão

Destaques

  • •Pesquisa brasileira aponta que comprimido único com candesartana, clortalidona e anlodipino reduziu pressão sistólica em 22,6 mmHg em 12 semanas.
  • •A nova medicação combinada alcançou pressão abaixo de 140/90 mmHg em 69,3% dos pacientes, superando o grupo controle.
  • •Estudos futuros analisarão o impacto da pílula em subgrupos específicos, como mulheres, negros e pardos, e em diferentes níveis de risco cardiovascular.

Um novo ensaio clínico desenvolvido no Brasil, o OPTION TREAT, testou a eficácia de um comprimido único que combina três medicamentos para o tratamento da hipertensão arterial: candesartana, clortalidona e anlodipino. A pesquisa, conduzida por cientistas do Einstein em colaboração com a Libbs Farmacêutica, a USF e o Centro Universitário Cesmac, buscou aumentar a adesão ao tratamento, um dos principais desafios no combate à doença. Os resultados foram publicados em agosto de 2025 no periódico JACC: Advances.

A hipertensão arterial afeta 29,7% dos adultos no Brasil, mas cerca de 19,3% dos diagnosticados não seguem o tratamento adequado. A dificuldade na adesão terapêutica, muitas vezes por esquecimento ou confusão com múltiplas medicações, leva ao descontrole da pressão e aumenta o risco de eventos cardiovasculares graves como AVC e infarto. O novo comprimido único visa simplificar o regime medicamentoso.

Eficácia da nova combinação

A pesquisa verificou que, após 12 semanas, a redução média da pressão sistólica foi de 22,6 mmHg no grupo que utilizou o comprimido combinado, contra 18,2 mmHg no grupo controle, que recebeu uma combinação de valsartana, hidroclorotiazida e anlodipino. A proporção de pacientes que atingiram uma pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg, meta estabelecida pela OMS, foi de 69,3% com a nova pílula, superior aos 59,8% do grupo controle.

O cardiologista Vagner Madrini Junior, pesquisador na ARO Einstein e um dos autores do estudo, destacou que a clortalidona, um diurético tiazídico de alta potência, foi utilizada pela primeira vez em uma combinação fixa no Brasil. Ele ressaltou que, mesmo com a disponibilidade de medicamentos gratuitos pelo SUS e facilidade de diagnóstico, a adesão é o principal gargalo.

A cardiologista Patrícia Oliveira Guimarães, head de Ensaios Clínicos em Cardiologia na ARO Einstein, observou que a queda da pressão ocorreu de forma importante logo no início do tratamento e se manteve estável. Ela também mencionou que, embora a pílula combinada seja um pouco menos eficiente em casos de hipertensão mais grave, a estratégia geral demonstrou ser vantajosa em comparação à terapia convencional.

Análise por subgrupos

Em desdobramentos mais recentes do projeto, apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), a equipe avaliou o impacto do tratamento em diferentes populações. A análise por sexo biológico mostrou que mulheres tiveram uma redução média de pressão sistólica de 23,9 mmHg, superior aos 18,7 mmHg dos homens, apesar de sua maior vulnerabilidade cardiovascular pós-menopausa.

Em relação à raça, pacientes brancos, negros e pardos responderam de maneira semelhante ao novo tratamento, com uma redução adicional média de 5,48 mmHg na pressão sistólica em comparação ao outro tratamento. Isso reforça o potencial de aplicação da estratégia em populações diversas, como a brasileira.

A análise por risco cardiovascular indicou que pacientes de risco baixo ou intermediário apresentaram uma redução adicional média de 4,13 mmHg na pressão sistólica em comparação aos de alto risco. A conclusão geral é que, independentemente das particularidades, a terapia tripla combinada demonstrou boa resposta, sendo o acompanhamento individual da evolução do paciente o fator mais importante.

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