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Certificação de Biosseguridade (CBS) expande para 160 fazendas leiteiras no Brasil

08 de novembro de 2026
Certificação de Biosseguridade (CBS) expande para 160 fazendas leiteiras no Brasil

Destaques

  • •Protocolo CBS, desenvolvido pela Embrapa e Boehringer Ingelheim, avalia mais de 140 pontos críticos em fazendas leiteiras.
  • •A certificação já demonstra resultados com redução significativa no uso de antibióticos e aumento da confiança do consumidor.
  • •A iniciativa visa aprimorar a saúde animal e humana, além de agregar valor ao leite brasileiro no mercado nacional e internacional.

A Certificação em Biosseguridade (CBS), um protocolo desenvolvido pela Embrapa em parceria com a farmacêutica Boehringer Ingelheim, tem como objetivo expandir sua atuação para 160 propriedades leiteiras no Brasil. O sistema avalia mais de 140 pontos críticos nas fazendas, abrangendo desde os animais e pessoas até instalações e processos, com o intuito de identificar e mitigar riscos sanitários.

A iniciativa tem suas raízes em estudos da Embrapa Gado de Leite sobre prevenção de doenças em rebanhos. A pandemia de covid-19, em 2020, intensificou a percepção da importância da biosseguridade – um conjunto de procedimentos para proteger a saúde humana e animal, além da segurança dos alimentos. "Cada ponto de contato na fazenda pode representar um risco ou uma barreira de proteção", afirma Bruno Carvalho, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Gado de Leite.

Da recomendação à rotina auditável

O protocolo CBS transforma diretrizes científicas em rotinas verificáveis e registradas. Originalmente, um documento de 2018 da Embrapa Gado de Leite já apresentava orientações para ampliar barreiras sanitárias na bovinocultura leiteira e evitar a disseminação de doenças. A pandemia acelerou a adoção dessas medidas, com fazendas implementando restrições de acesso, exigência de trajes para visitantes e instalação de rodolúvios para desinfecção de veículos, práticas mais comuns em outras cadeias produtivas.

"O produtor de leite está despertando para a questão da biosseguridade", observou o pesquisador da Embrapa Alessandro de Sá Guimarães, lembrando que o rebanho pode transmitir doenças como tuberculose, brucelose e leptospirose ao ser humano, mesmo sem transmitir covid-19. A pesquisadora Wanessa Araújo Carvalho previu que a pandemia levaria a uma valorização da biosseguridade e a mais investimentos em tecnologias limpas.

A certificação CBS converteu essas recomendações em critérios mensuráveis, oferecendo aos produtores um diagnóstico detalhado da propriedade e metas para acompanhar a adoção de boas práticas. O registro sanitário, por exemplo, passa a ser uma ferramenta de segurança alimentar, evitando o envio de leite com resíduos de antibióticos, conforme alerta Carvalho.

Resultados práticos no campo

As fazendas que adotaram o modelo de biosseguridade estruturada já apresentam resultados expressivos. Na Fazenda Colorado (SP), o uso de antibióticos no período de secagem das vacas caiu de 100% em 2016 para cerca de 80% em 2026, com o rebanho em lactação crescendo. A mudança, impulsionada pela secagem seletiva, resultou em queda nos tratamentos contra mastite.

Na Fazenda Santa Luzia (MG), a redução no uso de antibióticos para mastite clínica foi de 50%, e para tristeza parasitária bovina, de 70%. Isso evitou o descarte anual de 244,5 mil litros de leite, gerando um impacto econômico positivo estimado em R$ 660 mil anuais. "Elevando o status sanitário da fazenda, reduzimos custos e nos preparamos para o mercado internacional", afirma o produtor Maurício Coelho.

Um problema de saúde global e a confiança do consumidor

A redução no uso de antibióticos é crucial devido à resistência antimicrobiana, uma das maiores ameaças à saúde pública mundial. O uso indiscriminado na produção animal contribui para o surgimento de bactérias resistentes, tema abordado pelo conceito de Saúde Única. Estudos indicam que a mastite na pecuária leiteira concentra de 52% a 62% do uso total de antimicrobianos.

Uma pesquisa da Boehringer Ingelheim revelou que em muitas fazendas, o tratamento de mastite iniciava-se imediatamente, sem diagnóstico, e frequentemente utilizava antimicrobianos importantes para a medicina humana. "O objetivo não é eliminar tratamentos necessários, mas tomar decisões de maneira responsável, com embasamento técnico", explica Eduardo Pires Macedo, gerente técnico de Ruminantes da Boehringer Ingelheim.

A biosseguridade também impacta a confiança do consumidor. A marca Xandô já estampa o selo CBS em suas embalagens, pois 47% dos consumidores priorizam qualidade e confiança, e 83% estão dispostos a pagar mais por um leite de qualidade comprovada. O evento de apresentação dos resultados reuniu representantes de órgãos como Mapa, Anvisa, Sindan e Abraleite.

"A prevenção, o monitoramento contínuo e a tomada de decisão fundamentada em diagnósticos representam o futuro da pecuária leiteira sustentável", declarou José Peron, diretor de Saúde Animal da Boehringer Ingelheim no Brasil. A expansão do protocolo CBS para 160 fazendas representa a consolidação de um modelo de gestão que agrega valor ao leite brasileiro, protege a saúde de rebanhos e pessoas, e reduz custos.

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