Neurocientista explica dopamina e o desafio de poupar para o futuro

Destaques
- •A dopamina, substância cerebral ligada à motivação, explica a busca por gratificações imediatas e a dificuldade em planejar a aposentadoria.
- •A neurocientista Carla Tieppo, autora do livro 'Dopamina: vilã ou mocinha?', critica o 'detox de dopamina' por falta de base científica.
- •Tieppo atua no conselho consultivo do Grupo MAG, onde busca aproximar seguros e previdência do cotidiano das pessoas, focando em suas motivações.
A facilidade em obter gratificações instantâneas, como comprar pela internet ou pedir comida por aplicativo, está ligada à dopamina, substância produzida pelo cérebro que atua nos mecanismos de motivação e tomada de decisão. Essa mesma substância explica a dificuldade em manter a disciplina para objetivos de longo prazo, como poupar ou planejar a aposentadoria, que exigem abrir mão de satisfações presentes em benefício de recompensas futuras.
A neurocientista Carla Tieppo, que estuda o sistema dopaminérgico há cerca de 30 anos e é coautora do livro 'Dopamina: vilã ou mocinha?', explica que a dopamina não é uma 'vilã', mas sim uma participante ativa na escolha de comportamentos e na motivação para realizar tarefas, inclusive as que demandam esforço. Quanto maior a expectativa de recompensa imediata, maior a força para agir.
O desafio do planejamento financeiro
O planejamento financeiro e a aposentadoria exigem constância e disciplina, benefícios que parecem distantes. Em contraste, uma compra online oferece uma satisfação instantânea ao concluir o pedido, mesmo que o produto demore dias para chegar. Esse contraste entre recompensa imediata e futura é um dos principais obstáculos para a construção de hábitos financeiros sólidos.
Tieppo observa que muitas pessoas encaram atividades importantes para o bem-estar, como exercícios físicos, como obrigações a serem evitadas, em vez de conquistas que merecem reconhecimento. A mesma reflexão se aplica à construção de hábitos financeiros.
A influência do ambiente digital
A neurocientista alerta para a influência das redes sociais e dos estímulos digitais, que podem levar as pessoas a se deixarem 'cooptar' pela sociedade na escolha de onde direcionar sua dopamina. Compreender o que orienta nossas escolhas é fundamental para recuperar o controle sobre o próprio comportamento.
Ela critica práticas como o 'detox de dopamina', por não terem fundamento científico. O objetivo não é eliminar desejos, mas sim reconhecer por que algumas ações parecem mais atraentes do que outras, que exigem maior esforço.
Atuação no Grupo MAG
A relação entre motivação e segurança financeira orienta o trabalho de Carla Tieppo no Grupo MAG, especializado em vida e previdência, onde integra o conselho consultivo desde o fim de 2025. Sua principal contribuição tem sido estimular novos questionamentos na companhia sobre o que motiva as pessoas e como a proteção financeira pode se tornar mais relevante em diferentes realidades sociais.
Tieppo participou de iniciativas como mudanças no processo de entrada e relacionamento com novos clientes, campanhas institucionais e o projeto MAG 200. Este projeto, em parceria com a Singularity University, analisa cenários futuros e tendências de comportamento para aproximar seguros e previdência do cotidiano da população.
A proposta é ajudar as pessoas a reconhecerem suas necessidades de proteção antes mesmo de receberem uma oferta comercial. Isso envolve mudanças na comunicação com os clientes e na abordagem dos corretores, abordando temas como morte, invalidez e segurança financeira familiar. O relacionamento deve ir além da contratação de uma apólice, acompanhando as necessidades de proteção das famílias ao longo da vida.



