Navio de cruzeiro de luxo encerra viagem abruptamente no Camboja

Destaques
- •Passageiros de cruzeiro de volta ao mundo são forçados a desembarcar no Camboja após a empresa suspender a viagem.
- •Aumento do preço do combustível, impactado pela guerra no Irã, é apontado como principal causa da paralisação.
- •A empresa busca resolver problemas financeiros nos próximos 60 dias, mas o futuro dos passageiros permanece incerto.
Cerca de 203 passageiros do navio de cruzeiro Odyssey, que realizava uma viagem de volta ao mundo com duração de vários anos, foram surpreendidos com o encerramento abrupto da viagem na cidade portuária de Sihanoukville, no Camboja. A empresa proprietária, Villa Vie Residences, sediada na Flórida, alegou dificuldades financeiras devido à alta do combustível marítimo, exacerbada pela guerra no Irã, como motivo para a paralisação.
O navio, que partiu de Belfast em outubro de 2024, oferecia cabines a partir de US$ 100 mil, com uma taxa mensal de manutenção de US$ 3,5 mil (posteriormente aumentada para novos passageiros), cobrindo serviços como alimentação, lavanderia e Wi-Fi. Muitos passageiros, incluindo aposentados americanos e profissionais remotos, venderam bens para embarcar na que seria a viagem de suas vidas, desfrutando de comodidades como piscina, quadra de pickleball e teatro.
Passageiros deixados sem rumo
A presidente-executiva da Villa Vie, Kathy Villalba, comunicou aos passageiros na segunda-feira que o navio entraria em inatividade temporária e que eles teriam até as 14h para deixar a embarcação em Sihanoukville. O vice-governador da província, Long Dimanche, lamentou a situação, afirmando que muitos passageiros, incluindo aposentados e trabalhadores, ficaram sem moradia a milhares de quilômetros de casa. Parte dos passageiros já retornou aos seus países, mas outros permanecem na cidade cambojana.
Passageiros como Johan Bodin e Lanette Canen, que venderam sua locadora de carros no Havaí para comprar uma cabine de 13 metros quadrados por US$ 100 mil, relataram que a Villa Vie havia garantido pelo menos 15 a 20 anos de navegação. No entanto, a viagem enfrentou atrasos iniciais devido a reparos no navio e, segundo relatos em redes sociais, o Odyssey nunca atingiu sua capacidade máxima de 650 passageiros.
Aumento dos custos e modelo insustentável
A Villa Vie informou em comunicado que a despesa mensal com combustível subiu de cerca de US$ 1,8 mil para algo entre US$ 6 mil e US$ 8 mil por cabine. A empresa argumentou que não pode repassar aumentos dessa escala aos residentes, o que colocou o modelo de operação sob pressão financeira insustentável. A empresa declarou que está trabalhando com os residentes para identificar acomodações temporárias e que tentará resolver seus problemas financeiros nos próximos 60 dias, embora sem garantias de sucesso.
Contudo, passageiros como Randy Cassingham, que escreve sobre a vida no Odyssey em seu blog, afirmaram que não receberam apoio da Villa Vie para encontrar ou pagar por hotéis. Cassingham descreveu o estado de choque de alguns passageiros que gastaram a maior parte de suas economias e não sabem como ou onde viverão.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA confirmou que está trabalhando com as autoridades do Camboja para apoiar os cidadãos americanos afetados. Apesar da incerteza e frustração, alguns passageiros, como Cassingham e sua esposa, expressaram que não se arrependem da experiência, citando as amizades feitas e as memórias criadas.



