Mosteiro de Sümela: história milenar e restauração em penhasco na Turquia

Destaques
- •O Mosteiro de Sümela, na Turquia, é um complexo religioso e arquitetônico do século IV d.C. precariamente situado em um penhasco a quase 300 metros de altura.
- •O local, que já foi um importante centro de peregrinação cristã e muçulmana, passa por restaurações para preservar seus afrescos e garantir a segurança dos visitantes.
- •A Turquia busca incluir o mosteiro na Lista Indicativa da Unesco para Patrimônio Mundial, atraindo milhares de turistas e peregrinos anualmente.
O Mosteiro de Sümela, um impressionante complexo religioso e arquitetônico localizado em uma saliência rochosa a quase 300 metros de altura nos Alpes Pônticos, na Turquia, atrai milhares de visitantes anualmente. Fundado no século IV d.C. por monges gregos Barnabé e Sofrônio, segundo a lenda, o santuário testemunhou séculos de história, desde o Império Romano até a era moderna, e é um dos locais na Lista Indicativa da Unesco para ser considerado Patrimônio Mundial.
Origem e história milenar
A lenda conta que os monges Barnabé e Sofrônio foram guiados por uma visão da Virgem Maria para encontrar um ícone pintado pelo apóstolo Lucas. Eles descobriram a relíquia, chamada Panagia Soumela, em uma caverna que se tornou o núcleo do mosteiro. O complexo, com suas capelas, pátios, biblioteca e aqueduto, foi fundado no século XIII e prosperou sob o domínio otomano, que concedia liberdade religiosa aos seus súditos. O mosteiro era um ponto de peregrinação para cristãos e muçulmanos até o início do século XX.
Após a Primeira Guerra Mundial e a troca populacional entre Turquia e Grécia em 1923, os monges que viviam em Sümela se mudaram para a Grécia, levando consigo tesouros e enterrando outros para protegê-los. O mosteiro abandonado tornou-se alvo de caçadores de tesouros. A Panagia Soumela foi recuperada e hoje está na Grécia, mas outras relíquias foram contrabandeadas.
Restauração e revitalização
A partir da década de 1970, o Ministério da Cultura e Turismo da Turquia iniciou esforços para preservar e renovar Sümela. O acesso foi melhorado e, em 2010, o primeiro culto ortodoxo em 88 anos foi realizado no local, um evento que se repete anualmente. Atualmente, o mosteiro funciona como um museu estatal e passa por uma meticulosa restauração para garantir a segurança dos visitantes e mitigar danos causados por fatores naturais e humanos.
Alpinistas profissionais foram contratados para reforçar a segurança do penhasco com cabos de aço e redes de proteção, devido aos constantes problemas com queda de rochas. A restauração tem revelado surpresas, como um túnel secreto que leva a uma capela desconhecida, possivelmente usada como posto de observação, com afrescos impressionantes sobre o céu e o inferno.
Afrescos e o mistério dos olhos arrancados
O interior do mosteiro abriga afrescos ainda mais antigos e vibrantes, criados no século XIII. Grandes retratos de Jesus e da Virgem Maria adornam o teto, enquanto as paredes exibem anjos, apóstolos e santos. Em muitos afrescos inferiores, os olhos pintados foram deliberadamente arrancados. Embora alguns atribuam isso a muçulmanos, guias locais sugerem uma explicação alternativa: pessoas que acreditavam que raspar e beber a tinta traria bênçãos.
A restauração dos afrescos é um projeto plurianual que envolve especialistas em arte. Durante o verão, visitantes podem observar os restauradores trabalhando para remover pichações e outros danos causados pelo abandono e pela falta de proteção entre as décadas de 1920 e 1960. O mosteiro continua a ser um destino turístico e religioso de grande importância cultural.



