Morte influencia preço de imóveis na Europa e Ásia com modelos distintos
Destaques
- •Modelos de venda de imóveis na França (viager) e Hong Kong (desvalorização por morte) afetam preços de forma diferente.
- •Na França, o viager permite que idosos vendam imóveis e recebam renda vitalícia, com descontos de até 80%.
- •Em Hong Kong, mortes não naturais em imóveis podem desvalorizar propriedades em até 50% e afetar unidades vizinhas.
A relação entre vida, morte e o mercado imobiliário se manifesta de formas distintas na Europa e na Ásia, influenciando diretamente os preços dos imóveis. Na França, o modelo de venda conhecido como viager permite que proprietários, especialmente idosos, vendam suas propriedades e recebam uma renda vitalícia, mantendo o direito de moradia. Já em Hong Kong, o estigma associado a mortes não naturais em apartamentos pode levar a desvalorizações significativas de até 50%.
O modelo francês de viager
O viager é um contrato onde o vendedor transfere a propriedade de um imóvel ao comprador em troca de uma quantia inicial, chamada bouquet, e pagamentos periódicos que se estendem por toda a vida do vendedor. Na modalidade mais comum, o viager occupé, o vendedor mantém o direito de residir no imóvel até o seu falecimento. Existe também o viager libre, onde o comprador pode ocupar o imóvel imediatamente.
Imóveis negociados sob o regime de viager podem apresentar descontos de até 80% em relação ao valor de mercado. Esse abatimento é calculado com base na expectativa de vida do vendedor, no valor do bouquet e no direito de ocupação. A renda paga ao vendedor pode ser mensal, trimestral ou anual e cessa com a morte do antigo proprietário.
Para o comprador, o principal risco reside na incerteza da duração dos pagamentos. Se o vendedor viver mais do que o previsto, o custo total pode exceder o valor de mercado do imóvel. Por outro lado, o vendedor garante uma fonte de renda durante a aposentadoria, muitas vezes permanecendo em sua própria casa. O contrato exige formalização perante um notário.
O impacto da morte em Hong Kong
Em Hong Kong, o mercado imobiliário reage de maneira diferente a eventos trágicos. Apartamentos onde ocorreram mortes não naturais, como homicídios e suicídios, podem ser vendidos com descontos de até 50%, segundo agentes imobiliários. Os aluguéis dessas unidades também tendem a ser cerca de 20% inferiores à média do mercado.
Uma pesquisa publicada na revista Regional Science and Urban Economics analisou transações imobiliárias em Hong Kong entre 2001 e 2015. Os resultados indicaram uma desvalorização média de 25% em unidades diretamente afetadas por mortes não naturais. O estudo também apontou efeitos em imóveis adjacentes: apartamentos no mesmo andar sofreram queda de 4,5% nos preços, enquanto unidades em outros andares do mesmo edifício registraram redução de 2,6%. Prédios vizinhos no mesmo condomínio viram seus preços caírem cerca de 1%.
Os pesquisadores atribuem essa desvalorização ao estigma associado às propriedades, e não a um aumento percebido no risco de criminalidade. A desvalorização não é permanente, com os preços mostrando recuperação gradual após um período de quatro a cinco anos.
Matérias originais
- Como vida e morte influenciam o preço dos imóveis, de Paris a Hong Kong · infomoney.com.br



